Governo não é contra acionistas na Petrobrás, afirma Gabrielli

Presidente da Petrobrás defende aumento de capital da estatal é diz se tratar de "uma operação normal"

Daniela Milanese, da Agência Estado,

18 de setembro de 2009 | 12h46

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou nesta sexta-feira, 18, que, se fosse o governo, gostaria de ter mais de 50% da empresa, "porque é um bom investimento". O executivo ressaltou, no entanto, que o governo não é contra a participação de outros acionistas, tanto que, no setor bancário, está ampliando a fatia de capital do Banco do Brasil destinada a investidores estrangeiros.

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"Se eles (o governo) puderem ter mais de 50% (da Petrobrás), terão", disse Gabrielli. A participação do governo na companhia foi uma das questões levantadas na apresentação feita hoje pelo executivo a investidores, em Londres. Segundo ele, o governo não forçará uma avaliação mais elevada das reservas de petróleo, porque isso faria os papéis da companhia entrarem em colapso, destruindo valor para a própria União.

 

Aumento de capital

Gabrielli afirmou que o processo de capitalização da empresa deve estar totalmente finalizado no primeiro semestre de 2010. Ele lembrou que o prazo, no entanto, depende da tramitação do projeto de lei no Congresso. O executivo avalia que a aprovação da proposta, que cede onerosamente 5 bilhões de barris de reservas da União para a estatal, deve ocorrer entre março e abril do próximo ano. Hoje é o último dia para a apresentação de emendas na Câmara.

 

O presidente da companhia avalia que o aumento de capital da Petrobrás é uma operação normal, mas o valor que é pouco usual, admitiu. Ele reafirmou que deve haver diluição da atual base de acionistas, porque nem todos conseguirão subscrever os papéis. "A capacidade financeira do mercado não é suficiente para acompanhar (o aumento de capital)", afirmou. Para o presidente da Petrobrás, mesmo os minoritários que não seguirem a operação serão beneficiados, porque a empresa se fortalecerá.

 

Gabrielli estimou que a avaliação das reservas que fazem parte do processo ocorrerá no primeiro trimestre de 2010. No momento, a discussão está centrada na localização da área de onde virão os 5 bilhões de barris.

 

"O governo está nos oferecendo uma oportunidade que nenhuma grande companhia de petróleo pode perder (a compra das reservas)", disse a investidores em Londres. "Duvido que qualquer outra empresa recusaria."

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