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´Governo não é fantoche´, diz Bolívia à Petrobras

Em reposta ao pedido da Petrobras para adiar o prazo da negociação sobre o gás com a Bolívia, o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, disse neste sábado que a Petrobras tem que entender que o governo boliviano não é um ?governo de fantoches". "Tomara que os executivos da Petrobras compreendam que já não estão no reino das anomalias, que já não estão diante de governos fantoches, de governos que renunciaram ao exercício de seus recursos naturais?, afirmou Quintana, de acordo com a Agência Boliviana de Informações (ABI), a agência de notícias oficial do governo.De acordo com ABI, a afirmação foi feita devido ao suposto pedido da Petrobras de um prazo adicional de 20 dias para seguir negociando com o governo boliviano a adequação da empresa ao decreto de nacionalização do setor de hidrocarbonetos no país. A empresa não confirma que tenha realmente feito o pedido. De acordo com a ABI, a informação teria sido divulgada pela agência de notícias DPA, no Rio de Janeiro, e foi baseada nela que o ministro respondeu.O prazo para a assinatura de novos contratos para que as empresas estrangeiras possam continuar operando na Bolívia vence à meia-noite deste sábado (hora local, 1 hora de domingo em Brasília).Até agora, apenas quatro das dez empresas estrangeiras que atuam no país já fecharam um acordo. Duas delas, a francesa Total e a americana Vintage, assinaram os novos contratos numa cerimônia na sexta-feira à noite. Silêncio A Petrobras continuou negociando neste sábado. Tanto o presidente da filial boliviana da empresa, José Fernando de Freitas, quanto o gerente da área do Cone Sul, Deci Odone, não quiseram falar com a imprensa quando saíram da sede da estatal petrolífera YPFB na hora do almoço.?Estamos negociando e não vou falar nada, em benefício da negociação. Depois que concluirmos, vou dar todos os detalhes?, afirmou Freitas. Questionados por repórteres brasileiros, nenhum dos dois quis comentar se a empresa realmente havia pedido um prazo adicional. No Brasil, a assessoria de imprensa informou que não tem informação sobre este pedido e sabe apenas que as negociações continuam.O governo boliviano considerou que as negociações com a empresa brasileira - o maior investidor estrangeiro no setor petroleiro na Bolívia - estão complicadas. A agência de notícias do governo cita as eleições no Brasil como fator complicador.Pressão A assinatura de novos contratos com duas empresas foi considerada, na Bolívia, uma maneira de pressionar a Petrobras e mostrar que o país tem outros investidores estrangeiros interessados em entrar no mercado. O governo boliviano marcou, para as 20 horas deste sábado (hora local, 21 horas em Brasília), outro ato para a assinatura de novos contratos. Até o fim da tarde, apenas uma empresa havia concluído as negociações, mas ainda existe a expectativa de que este número aumente até o horário do anúncio.Na noite de sexta-feira, o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, disse que as negociações continuavam neste sábado até o prazo final.Ele afirmou que um minuto depois desse horário, daria uma entrevista coletiva para apresentar um balanço das negociações e dizer o que acontece com empresas que porventura não tenham chegado a um acordo. O decreto prevê que elas têm que deixar o país sem direito a nenhuma indenização pelas instalações. O presidente boliviano, Evo Morales, chegou a dizer, na sexta-feira, que ?ainda faltam algumas horas, alguns dias para chegarmos a um acordo?. A frase foi interpretada por algumas pessoas como um sinal de que o governo estaria disposto a manter as conversas além deste sábado.

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