Governo não fará nova proposta a auditores, diz Paulo Bernardo

Ministro do Planejamento diz que não há como melhorar salários, mas admite negociar critérios de promoção

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

06 de maio de 2008 | 14h16

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou na tarde desta terça-feira, 6, que fez um apelo aos auditores fiscais para que voltem ao trabalho. Em reunião com o comando de greve, o ministro avisou, segundo seu relato posterior à imprensa, que o governo chegou ao limite do que poderia oferecer em termos econômicos, mas concorda continuar negociando os critérios de avaliação e promoção na carreira. "Manter a greve, esperando que nós tenhamos condições de melhorar a proposta, é penalizar a sociedade", afirmou o ministro, lembrando dos problemas enfrentados nas fronteiras e na liberação de cargas nos portos e aeroportos. Veja também:  Sindicato confirma que auditores da Receita vão manter greve Greve dos auditores de Santos segue em ritmo de trégua Auditores da Receita Federal decidem manter greveBernardo disse que assumiu o compromisso de dialogar com a categoria, a qualquer momento, mas não deu garantias de que poderia melhorar a proposta financeira. "Eu expliquei claramente que chegamos no limite", disse o ministro.  "Tivemos uma mudança nas nossas condições orçamentárias quando foi rejeitada a CPMF, nós não mudamos os valores, apenas o calendário, oferecendo uma proposta de parcelamento em 2008, 2009 e 2010. Não temos nenhuma condição de melhorar essa proposta", argumentou o ministro em entrevista à Rádio Eldorado, nesta terça.O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Pedro Delarue, disse após a reunião com Bernardo que o comando de greve deve formular esta tarde um indicativo que será apresentado para votação da assembléia nacional na quinta-feira. "O ministro afirmou que a distensão poderá vir com a decisão da classe de suspender o movimento. Nós acreditamos na força do diálogo e que pode haver avanço com boa vontade da categoria", disse ele, após o encontro. Delarue, no entanto, frisou que não está afirmando que haverá uma recomendação para a suspensão da greve. Admitiu, porém, que a conversa com o ministro foi importante. "Não tínhamos conversado com o ministro. O posicionamento do governo, pelo ministro, é muito importante", disse. Delarue explicou que a categoria insistirá para aumentar a proposta salarial e reduzir o cronograma de aplicação dos reajustes. ReajusteA proposta do governo é a de conceder aos auditores fiscais reajuste salarial de 24% em julho deste ano, de 9% em julho de 2009 e de 5% em julho de 2010. Atualmente, a remuneração inicial de um auditor da Receita é de R$ 10 mil, e o salário-teto é de 13,3 mil. Caso eles aceitem a proposta do governo, o salário inicial da categoria passará, em 2010, para R$ 14 mil, e o salário mais alto, para R$ 19 mil.CorteBernardo afirmou também que já está decidido pelo governo o corte no salário correspondente aos dias parados. Segundo ele, em reunião na segunda-feira, 5, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram identificados 3.800 servidores que faltaram ao trabalho. Paulo Bernardo disse que o desconto deve ocorrer na folha de pagamento de maio, exceto para os advogados da Advocacia-Geral da União (AGU). Eles voltaram ao trabalho no dia da decisão do Supremo Tribunal Federal, que concedeu liminar ao governo, autorizando o corte dos dias parados.

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