Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Governo não pode adotar medidas populistas'

Empresário vê com preocupação uma possível intervenção política na economia

Entrevista com

Rubens Ometto Silveira Mello

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 18h41

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, fundador e presidente de administração do grupo Cosan, vê com preocupação a possibilidade de o governo passar a adotar medidas populistas que possam interferir na economia e na gestão da Petrobrás. O executivo Pedro Parente renunciou hoje cedo ao cargo – Ivan Monteiro, diretor financeiro da estatal, assumiu interinamente. “Sou a favor da economia de mercado. Decisões populistas podem agradar no curto prazo, mas não são eficientes” A seguir, os principais trechos da entrevista.

A saída de Pedro Parente preocupa? 

Pedro Parente foi muito importante para a Petrobrás. Acredito que o Pedro quis deixar o governo à vontade para fazer o que tinha de fazer. Não sei se ele concordaria com mais intervenção política. Acho que algumas  pequenas adaptações precisam ser feitas, mas sem prejudicar a Petrobrás. Se vier uma política de intervenção na Petrobrás ou mesmo na economia, será um desastre. Espero que (o governo) não esteja nesta direção.

Que pequenas adaptações têm de ser feitas?

Esses ajustes talvez passem por reajustes (de preços dos combustíveis) mensais para dar mais previsibilidade, como é feito no gás, por exemplo. Mas tudo isso sem prejudicar a Petrobrás.

O nome de Ivan Monteiro agrada ao mercado?

Acho muito bom.

O governo não soube conduzir a crise na  greve dos caminhoneiros?

Ninguém estava preparado. Essas coisas acontecem e fazem parte da vida democrática. Poderiam ter tomado medidas antes... Mas em uma semana o governo resolveu. Talvez tenham alguns erros  de discursos porque não conhecem necessariamente a tecnicidade do setor energético no Brasil. Acho errado  o movimento de aproveitadores que usam o momento de forma oportunística. 

Qual a lição que fica desta crise?

Acredito em economia de mercado. Sou contra o populismo. Minha preocupação é de não ir na onda oportunística. O que o governo anterior estava fazendo com a Petrobrás e empresas públicas era um bsurdo. É fácil ser populista. A curto prazo, as medidas parecem boas, mas engana todo mundo.

A atual crise muda a corrida eleitoral em outubro?

Este episódio vai ser bom para saber o que cada um (dos pré-candidatos) pensa. Agora, cada um deles vai ter de mostrar a cara. Todo mundo é contra a reforma da Previdência. Mas como é que faz?  Se forem parar para pensar, as reformas têm de ser feitas. para reduzir as despesas e, depois, os impostos.

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