Governo não pressionou bancos a diminuir juros, diz Appy

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse nesta quarta-feira que a reunião da última terça com os presidentes dos bancos oficiais não foi "para pressionar os bancos públicos a reduzirem spreads (diferença entre os juros de captação e as taxas cobradas nos empréstimos)". "A questão dos bancos púbicos foi uma questão particular e ficou muito claro que qualquer medida que estes bancos possam tomar para contribuir para reduzir o spread tem que ser uma medida que se encaixe dentro da estratégia competitiva dos bancos e não uma medida que se faça em detrimento da rentabilidade ou do bom funcionamento das instituições", afirmou o secretário, que participou hoje da reunião do Grupo de Ação Financeira da América do Sul (Gafisud), no Centro Cultural do Banco do Brasil.Appy explicou que a reunião serviu para discutir medidas de aperfeiçoamento do mercado de crédito no Brasil e para a redução do spread de forma geral. Segundo ele, entre as propostas estão maneiras de reduzir os custos administrativos e a inadimplência, que são componentes importantes na formação do spread, além da necessidade de aumentar a escala das operações de crédito no País. Segundo Appy, à medida que se aumenta o volume do crédito em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), a tendência é que os custos se diluam e também que isso se reflita em redução do spread bancário. O secretário também afirmou que não entende que esta reunião, convocada a pedido do presidente Lula, seja interpretada como um recado, na semana do Copom, para que os bancos acompanhem a redução dos juros.Febraban Appy afirmou que a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também deve ser ouvida nesse processo de discussão, embora tenha destacado que os bancos privados preferem discutir a redução da cunha tributária a discutir ganhos de competitividade. O secretário informou que não há outra reunião marcada e que a agenda de trabalho, agora, é consolidar as sugestões colhidas na reunião de ontem para construir um marco institucional mais eficiente para a melhoria do crédito no País. Legislação cambial Appy afirmou ainda ser "provável" que as medidas de mudanças na legislação cambial sejam anunciadas na próxima semana. Segundo ele, ainda está sendo feita uma análise jurídica das propostas. O secretário afirmou que várias alternativas estão em estudo para decidir qual a melhor estratégia que o governo poderá adotar para cobrar a CPMF dos dólares que não forem trazidos para o Brasil. O secretário disse também que ainda não está decidido que as medidas virão por medida provisória ou projeto de lei.

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