Governo não pretende intervir no mercado do álcool

O ministro da Agricultura Roberto Rodrigues afirmou hoje que "não é a vocação do governo federal fazer intervenção no setor sucroalcooleiro" para evitar novas crises de desabastecimento e explosões nos preços do álcool combustível. Apesar de Rodrigues minimizar a crise entre governo e usineiros, ao ser indagado se a decisão de não intervir no setor era definitiva, ele salientou: "nós trabalhamos com toda a vontade para que isso não ocorra". De acordo com Rodrigues, que visita neste instante a Feira de Negócios do Setor de Energia (Feicana/Feibio), a primeira medida a ser tomada para evitar novas distorções no mercado deve ser a criação, em conjunto com o setor privado, de uma política de estocagem do álcool, a ser anunciada, segundo ele, até o final de maio. Segundo o ministro, o volume de álcool a ser retirado do mercado para ser utilizado como estoque estratégico pode variar entre 1,5 bilhão e 2,5 bilhões de litros, de acordo com as diversas correntes que avaliam as medidas. Rodrigues procurou evitar novas críticas aos usineiros como as feitas na edição de 2003 da mesma feira em Araçatuba. Na época, com uma situação semelhante, de desabastecimento e preços altos, Rodrigues chamou os usineiros de "malandros" e ameaçou enquadrá-los. Indagados se alguns usineiros continuavam malandros como em 2003, Rodrigues desconversou: "O repórter tem uma memória muito boa". Por fim, o ministro retrucou a afirmação do presidente da União da Agroindústria Sucroalcooleira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, que anteontem disse que o setor privado tinha várias propostas para regulamentar o mercado. "É preciso trazer essas propostas; para nós, se eles não as trazerem será o mesmo que não tê-las". Rodrigues recebe neste instante a Medalha da Agroenergia, concedida pela Usinas e Destilarias do Oeste Paulista (Udop), entidade que representa produtores desta região, Paraná e Mato Grosso do Sul.

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