Governo não tem como bancar correção do IR acima de 4,5%, diz Dilma

'Eu sinto muito, eu sinto muito', disse a presidente quando questionada sobre pressões para que reajuste seja de 6,5%

Tânia Monteiro e Lisandra Paraguassu, Agência Estado

20 Fevereiro 2015 | 11h28

A presidente Dilma Rousseff avisou nesta sexta-feira, 20, que o seu compromisso é com o reajuste da tabela do imposto de renda de pessoa física (IRPF) em apenas 4,5%. Segundo Dilma, se o Congresso derrubar o veto que impedia o reajuste de 6,5%, o governo não terá como bancar este valor. 

"Nós não estamos vetando porque queremos. Nós estamos vetando porque não cabe no orçamento público", declarou Dilma, em rápida entrevista, após receber as credenciais de cinco embaixadores, no Palácio do Planalto. 

"Eu tenho um compromisso e vou cumprir meu compromisso, que é de 4,5%", insistiu.

Quando os repórteres reiteraram que o Congresso já disse que vai derrubar os 4,5%, Dilma respondeu: "eu sinto muito, eu sinto muito". E emendou: "se por algum motivo, não quiserem os 4,5%, nós vamos ter de abrir um processo de discussão novamente. Nunca deixamos de esconder que era 4,5%. O governo só tem condições para olhar os 4,5%". Dilma sinalizou, no entanto, que pode negociar sobre a legislação que trata de benefícios como pensão por morte e pagamento de seguro-desemprego. "Sempre há negociação", disse ela, lembrando que está "dialogando com o Congresso e os movimentos sociais.

Na entrevista, Dilma lembrou que já mandou a proposta de reajuste de 4,5% para o Congresso por pelo menos duas vezes. "Eu já mandei duas vezes. Vou chegar à terceira vez", comentou a presidente, explicando que vetou porque não tinha condições de pagar mais do que 4,5% de reajuste. "Vetei sim e vetei não é porque não queira fazer. Vetei porque não tem recursos pra fazer. É essa questão. Meu compromisso é 4,5%", reforçou.

Na quinta, o tema foi discutido em reunião no Planalto da presidente Dilma com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. A reunião, que em parte contou com a presença do ministro da Previdência, Carlos Gabas, tratou também da flexibilização de benefícios como pagamento de pensão por morte ou pagamento de seguro-desemprego. 

Questionada se vai flexibilizar as medidas provisórias que encaminhou ao Congresso que preveem alterações nas regras de concessão de benefícios, a presidente declarou que está propondo "aperfeiçoamento da legislação". Para a presidente, "só ser contra, por ser contra, não, e só ser a favor, por ser a favor, também não". E emendou sinalizando que o governo poderá conversar com as centrais, mas sem dizer o que aceitaria mudar: "com argumentos e com fundamentos você chega sempre a uma boa solução".

"Todas as medidas que nós tomamos, ela tem um objetivo, não estou falando das medidas fiscais, estou falando das medidas que têm a ver com seguro-desemprego, abono doença, abono salarial, pensão por morte, nós estamos aperfeiçoando a legislação", declarou. "A legislação tem de ser aperfeiçoada, da mesma forma que fizemos com o Bolsa Família, que é um programa reconhecidamente de sucesso porque passa por auditoria", prosseguiu ela, assegurando que "sempre há negociação". 

Segundo Dilma, "ninguém acha que num país democrático como o Brasil, que tem um Congresso livre, que tem movimentos sociais sendo ouvidos e com os quais você dialoga, seja algo fechado, que não haja negociação". Para ela, "sempre há negociação, mas também há posições claras. Eu acho que os lados têm de defender posições claras, os diferentes agentes e participantes têm de mostrar com clareza quais são as posições que tem, com que objetivo".

Esta é a primeira entrevista que a presidente concede no segundo mandato. Dilma está sendo cobrada por estar trancada no Planalto e não estar dialogando com o Congresso, onde já sofreu várias derrotas. 

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