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Governo nega que ações do Banco Central sejam incoerentes

BC anunciou medidas para ampliar crédito um dia depois de alertar para alta da inflação

Irany Tereza, João Villaverde, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 21h34

Primeiro, o Banco Central desarmou as expectativas de que a taxa básica de juros seria reduzida, porque as pressões inflacionárias ainda são evidentes. No dia seguinte, o mesmo BC anuncia um pacote de R$ 45 bilhões, concentrado em liberação de dinheiro para os bancos aumentarem a concessão de crédito para famílias e empresas. Os sinais, no entanto, não são contraditórios aos olhos do governo federal.

Para o governo, no entanto, a contradição entre as duas medidas seria apenas aparente, e é possível separar em gavetas distintas a preocupação com a inflação expressa na questão dos juros e o afrouxamento em relação ao crédito - que, teoricamente, incentiva o consumo e pressiona a inflação.

Os fatos, no entanto, são os seguintes. Na quinta-feira, o Banco Central sinalizou, por meio da ata da última reunião de seu Comitê de Política Monetária (Copom), que a Selic, hoje em 11% ao ano, não deve ser reduzida - movimento entendido pelo mercado como uma manifestação de que a inflação elevada incomoda mais a autoridade monetária do que o baixo crescimento. Ontem, o BC anunciou um pacote com liberação de dinheiro que os bancos devem manter parado compulsoriamente no Banco Central, de forma a ampliar a liquidez no mercado de crédito.

“Estruturalmente, já são situações distintas”, sustenta uma fonte qualificada do governo, explicando que mudanças desse porte não podem acompanhar “em alta frequência” o comportamento do mercado. O fato de ter sido agora, às vésperas de um processo eleitoral que se desenha com forte debate econômico e num momento em que os principais índices de atividade patinam, teria sido apenas uma coincidência.

Impacto. Há dúvidas no mercado sobre o impacto das medidas na economia real diante do ainda elevado nível de endividamento das famílias. Para técnicos do governo, os dados estatísticos de endividamento do consumidor embutem um perfil que não é totalmente negativo, com reflexos do forte aumento do crédito imobiliário, em torno de 30% ao ano, e do financiamento de veículos. Nesse caso, o passivo (dívida) vem acompanhado de um ativo (imóvel ou carro), o que reduz o risco do endividamento.

No sistema financeiro, há hoje uma assimetria de liquidez, concentrada nos 12 maiores bancos. A ótica das medidas, na avaliação do governo, é ampliar crédito e dar mais racionalidade à liquidez. O prazo de um ano para a compra de carteira, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, serve apenas como indicativo. Poderá ser prorrogado ou encurtado, caso o resultado das medidas seja ou não satisfatório.

A equipe técnica se baseia no fato de que a medida não abre crédito novo. Os bancos comprarão carteiras já formadas e vão abrir espaço para alguns segmentos específicos. Foi uma forma alternativa para atuar no segmento sem direcionar medidas ao segmento de consumo.

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