Governo negocia ampliação de 60 dias para pagar Simples

Mantega confirma negociação de medida, mas nega divulgação de novas ações nesta segunda-feira

Leonardo Goy, Leonencio Nossa e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

24 de novembro de 2008 | 13h57

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou nesta segunda-feira, 24, que o governo está negociando com os Estados e os municípios a prorrogação, por mais 60 dias, do pagamento do Simples. Apesar disso, ele descartou para hoje, após a reunião ministerial, o anúncio de novas medidas para combater a crise. "O governo não vai anunciar nenhum pacote. O que está sendo feito é responder a questões que se colocam", afirmou o ministro, em rápida entrevista, no intervalo da reunião, para almoço.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Segundo ele, o governo continuará tomando medidas anticíclicas para estimular o crescimento da economia. Ele citou como medidas já tomadas o estímulo ao crédito, repasse de recursos para agricultura e para o setor automotivo, liberação de compulsórios,a redução de IOF para aquisição de motos e prorrogação do pagamento de IPI, PIS e Cofins. Ele ressaltou que a política anticíclica do governo para combater os efeitos da crise será a manutenção dos programas de investimento. Segundo Mantega, o governo vai cortar gastos correntes, mas não haverá cortes de investimento em obras prioritárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele lembrou que, para fazer a economia de quase R$ 15 bilhões para compor o Fundo Soberano do Brasil (FSB), o governo reduziu a disponibilidade de gastos dos ministérios. "Todos os projetos na área de investimento foram mantidos", disse o ministro. Mantega explicou que fez uma exposição sobre a situação da crise internacional que, segundo o ministro, já não é mais financeira e sim econômica. Apesar dessa avaliação "crítica", segundo Mantega, o Brasil e outros países emergentes não entrarão em recessão.  Ele voltou a afirmar que o Brasil crescerá 4% em 2009 e não 6% como tinha dito anteriormente. O ministro disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, na reunião de ministros, que muitas vezes o país é contaminado pelas notícias negativas do mercado externo, mas que o Brasil está em melhores condições do que outros países.  Ação conjunta O ministro da Fazenda disse que a "boa notícia" no mercado externo é que os países estão enfrentando a crise de forma conjunta. "Agora há uma disposição dos países em combater a retração econômica, com decisões conjuntas, diferentemente de outros momentos em que os países se fechavam em si mesmo, com medidas como o protecionismo", afirmou.  "Os países não estão querendo cometer os mesmos erros cometidos durante a crise de 1929, quando cada um foi para o seu lado, aumentando o protecionismo e se fechando em si mesmo. A crise só acabou dez anos depois, na época da Segunda Guerra. Agora os países já estão escaldados", disse. Mantega relatou que na primeira parte da reunião ministerial, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, fez um relato sobre o encontro do G-20 (grupo dos países mais industrializados e emergentes) em Washington, na semana passada. "Precisamos de uma nova ordem econômica mundial e avançar com a rodada Doha e resolvê-la até o final do ano", defendeu Mantega.  Ele disse que o Brasil começou a sentir os efeitos da crise a partir de outubro, com a falta de crédito e o aumento do dólar. Mas que agora, em novembro, a situação começou a melhorar. "O Brasil foi pego num momento de forte dinamismo econômico",afirmou.

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