Governo paulista prefere não assumir a Eletropaulo

A busca de uma solução para a crise da AES Eletropaulo que não passe pela troca do controle da companhia deve ser prioridade, disse hoje o secretário de Energia, Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado de São Paulo, Mauro Arce. No entanto, ele afirmou que o governo estadual se colocou "à disposição" para assumir a distribuidora, caso o BNDES venha a executar as dívidas da companhia. O secretário disse que "a AES tem outros ativos no Brasil e há disposição da empresa em utilizá-los para pagar os compromissos".Arce confirmou que a situação da companhia foi um dos assuntos do encontro realizado, no último fim de semana, entre o governador Geraldo Alckmin e os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu. "O entendimento é o de que se buscará uma solução para a crise que vive a empresa sem que haja transferência de controle", disse Arce.A AES Eletropaulo deu um calote em 31 de janeiro último, após deixar de realizar o pagamento de uma parcela de US$ 85 milhões de compromissos com o BNDES. Arce descartou a possibilidade de que ocorra uma intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na empresa. "Somente há possibilidade de uma intervenção da Aneel se houver um colapso no fornecimento de energia elétrica, e eu não vejo essa possibilidade, pois, do ponto de vista técnico, não existe colapso".CespArce disse que governo "não deverá ter grandes problemas" para pagar os R$ 2,8 bilhões referentes aos juros da dívida da Cesp este ano. "Nós temos que equacionar em torno de R$ 1,6 bilhão, uma situação bem mais vantajosa do que a do ano passado, que foi um ano bastante difícil em que tínhamos que equacionar mais de R$ 2 bilhões e conseguimos", disse. Ele informou que está trabalhando em várias linhas para fazer os pagamentos. "Temos dívidas lá fora, temos dívidas com o governo federal, uma parcela de US$ 80 milhões com o BNDES, e estamos conversando com todo mundo", disse.Para o secretário, a situação poderá ter um outro curso caso "o mercado volte a ter um posicionamento mais simpático" se investir no Brasil. "A gente depende muito do humor do mercado e temos uma expectativa positiva de que as coisas vão melhorar neste sentido", afirmou.

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