Governo pede apoio do setor privado para pesquisa e desenvolvimento

O ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, fez hoje um apelo para que os empresários invistam mais em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Segundo o ministro, 86% de tudo o que se investe nessa área no Brasil provêm de recursos públicos. Amaral afirmou que pela primeira vez em 25 anos os investimentos em P&D vão subir para 1% do PIB, mas ressaltou que o porcentual ainda está muito abaixo do que o País precisa para sair da condição de importador. A Coréia do Sul, por exemplo, - país que o ministro usou para comparar as deficiências brasileiras - investe 3,2% do PIB. "Nós somos apenas montadores de automóveis, enquanto que a Coréia planejou, investiu e hoje tem marcas próprias", afirmou o ministro que participou da Feira de Inovação Tecnológica que acontece até sexta-feira em São Paulo. Amaral disse que na década de 80 o Brasil era superior à Coréia em todos os índices científicos, como industrialização, alfabetização, número de cientistas e patentes registradas nos Estados Unidos. Hoje, a situação é inversa. "A Coréia tem duas mil patentes registradas nos Estados Unidos, enquanto o Brasil registrou apenas 173", disse. Segundo o ministro, o País forma hoje dois mil doutores ao ano. A meta do governo Lula é formar 10 mil doutores ao ano até o fim do mandato. A formação de cada doutor custa ao governo US$ 250 mil. "Se não formarmos um mutirão com os empresários para apressar a ciência aplicada e se a empresa não entender a importância de seu investimento, dificilmente ultrapassaremos a condição de importador e dependentes de tecnologia." Amaral lembrou que a América Latina, puxada por Brasil e Argentina, produz apenas 2% da produção científica mundial. O ministro informou ainda que em duas semanas o Ministério deve assinar um acordo com o BNDES, segundo o qual o MCT vai procurar nas universidades pesquisas que possam ser aplicadas na indústria. O BNDES vai abrir uma linha de financiamento de capital de risco, sem juros, apostando apenas no sucesso do empreendimento. O valor da linha vai depender do volume de pesquisas que poderão ser aplicadas.

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