Governo pede mais informações sobre avaliação da ANP

O governo quer "informações adicionais" da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Petrobras sobre as avaliações que ambas apresentaram hoje a respeito do preço do barril do petróleo das reservas do pré-sal que serão usadas na capitalização da companhia. Em nota conjunta divulgada hoje, os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e a Casa Civil da Presidência da República confirmaram que receberam "avaliações preliminares" feitas pelas certificadoras contratadas pela ANP e pela Petrobras.

LEONARDO GOY E TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

19 de agosto de 2010 | 22h01

Na mesma nota, porém, os três ministérios afirmam que solicitaram "informações adicionais para a ANP e a Petrobras" e que o governo "aguardará a conclusão dos laudos de certificação para a definição dos parâmetros da cessão onerosa". Apesar de o Planalto vir reiterando que está mantido o cronograma que prevê a conclusão da operação até o fim de setembro, a necessidade do governo por "informações adicionais" da ANP e da Petrobras reforça as suspeitas do mercado de que pode haver algum atraso na capitalização. A Casa Civil, porém, informou ao Grupo Estado que a solicitação de novos dados não significa, "no momento", qualquer decisão quanto ao adiamento da capitalização.

Antes de anunciar formalmente o valor do barril do petróleo - e que, em tese, será ratificado na semana que vem em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) - o governo precisa chegar a um preço que agrade tanto à Petrobrás quanto ao Tesouro.

Oficialmente, os preços das avaliações da ANP e da Petrobras não são conhecidos. Mas, segundo noticiou hoje o Grupo Estado, os valores das duas precificações estariam bem distantes. Enquanto a avaliação encomendada pela ANP estaria entre US$ 10 e US$ 12 por barril, a da Petrobras seria de US$ 5 a US$ 6, ou seja, praticamente a metade.

O governo precisa bater o martelo sobre o preço do barril das reservas do pré-sal que serão usadas na capitalização da empresa para definir o tamanho da operação. Pela lei, a União vai ceder uma área equivalente a 5 bilhões de barris. Em outra nota divulgada também hoje, pela ANP, a agência confirmou que serão usadas reservas do poço Franco, localizado na Bacia de Santos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai analisar os dois estudos encomendados pela Petrobras e pela ANP para dar a palavra final sobre a data e o processo de capitalização da petrolífera. "Não tem decisão tomada", disse um ministro, reproduzindo o que ouviu, ainda hoje, do presidente Lula. Segundo este ministro, o presidente considera natural que a Petrobras tenha pressa em decidir sobre a capitalização da empresa. Ressaltou, no entanto, que em questões de importância como esta, que mexem com o mercado e envolvem bilhões de dólares, toda cautela é pouca.

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