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Governo pede plano de longo prazo para usineiros

Além dos números consolidados sobre estoques, produção, e exportação de álcool na safra 2006/07, o governo pediu aos usineiros um plano de médio e longo prazo de garantias de oferta para o mercado interno como condição para aumentar de 20% para 25% a mistura do anidro à gasolina. Na reunião de segunda-feira entre o ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto, e representantes do setor sucroalcooleiro, o governo ouviu as tradicionais reclamações dos usineiros de que a redução na mistura para 20%, decisão tomada no início do ano, pode desestimular o plantio de cana. só que a redução ocorreu justamente em um momento de disparada nos preços do etanol no mercado interno e da iminência de uma crise de desabastecimento. À época, o então ministro Roberto Rodrigues garantiu que a redução na mistura permaneceria até ao menos janeiro de 2007, quando o governo poderia ter um cenário sobre o abastecimento de álcool no período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul.No começo da safra, as exportações para os Estados Unidos dispararam e os usineiros ficaram quietos, mas bastaram o recuo nas vendas externas e as cinco semanas de queda dos preços do etanol nas usinas paulistas para os usineiros baterem às portas do governo.Com o aumento na mistura em cinco pontos percentuais, há um crescimento na demanda de 100 milhões de litros de álcool por mês, o que poderia trazer novas altas nos preços nas usinas. Os empresários do setor sucroalcooleiro têm como trunfo o fato de que o aumento na mistura iria reduzir os preços da gasolina. Boa notícia em época eleitoral e de pressão por aumentos no combustível derivado do petróleo, como admitiu na segunda-feira a Petrobras.Por outro lado, o ministro da Agricultura lembrou, na reunião de segunda, que os usineiros defendem o livre mercado do combustível, mas vivem sob regras como, por exemplo, a da mistura obrigatória do anidro à gasolina e não garantem o abastecimento interno. "E se a tarifa de importação de álcool dos Estados Unidos (US$ 0,54 por galão) cair a zero, vocês vão garantir o abastecimento aqui ou vão exportar?", questionou Guedes durante o encontro de ontem de acordo com o relato de uma fonte.Com o plano de longo prazo apresentado pelos usineiros, o ministro da Agricultura deve ir diretamente à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que defende a adoção de uma postura mais radical com o setor, com mecanismos de controle de exportação e até mesmo de produção.Já os usineiros não ficam atrás no jogo político e se reuniram na manhã desta terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Além de ouvir o relato da reunião de segunda com Guedes, Lula busca apoio eleitoral. Ponto fundamental de barganha para os empresários de um setor que é declaradamente dividido entre apoio ao próprio Lula e ao seu principal adversário na campanha, Geraldo Alckmin (PSDB).

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