Pilar Olivares/ Reuters
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro; governo quer ganhar tempo para definir novos comandos na estatal Pilar Olivares/ Reuters

Governo estuda adiar votação para o conselho da Petrobras prevista em assembleia de acionistas

Retirar a votação da pauta da reunião em 13 de abril seria uma forma de ganhar tempo para encontrar um novo nome para assumir a presidência executiva da estatal

Fernanda Guimarães, Mônica Ciarelli e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2022 | 18h06

RIO e SÃO PAULO - Com dificuldade para encontrar um novo nome para assumir a principal cadeira executiva da Petrobras, após a desistência de Adriano Pires, o governo colocou na mesa estratégias para conseguir ganhar tempo e mitigar a crise de governança na qual mergulhou a empresa. Uma das opções que vem ganhando força seria tirar da pauta da assembleia a votação do novo Conselho de Administração – votando apenas as demais matérias, como a aprovação das contas da companhia referentes ao ano passado. Essa possibilidade envolve a permanência do general Joaquim Silva e Luna por mais tempo no comando da estatal.

Pelas regras do estatuto da estatal, o presidente da companhia precisa ser membro do conselho de administração, por isso a importância dessa eleição. No último documento entregue ao regulador, com os nomes do governo indicados ao colegiado da companhia, ainda estão Rodolfo Landim, presidente do Flamengo que já desistiu da posição, e do general Joaquim Silva e Luna, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro sob o contexto das altas dos combustíveis. Adriano Pires não chegou a ter seu nome incluído na lista de indicados.

Depois do imbróglio formado após a indicação de Pires ao cargo, com potenciais conflitos de interesse vindo à tona, os nomes sondados pelo governo estão preferindo se manter longe na companhia, ainda mais porque o mandato é apontado como "tampão".

Segundo fontes, uma das apostas, o presidente da Enauta, Decio Oddone, já recusou o convite. Afinal, são apenas oito meses até o fim do mandato e o atual governo está atrás nas pesquisas eleitorais para a presidência. Ou seja, um executivo do setor teria que se desvencilhar de suas atuais funções sem a certeza de que continuaria na próxima gestão. É dado com certo que se o pleito for vencido pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva haverá troca da presidência da estatal.

Caso seja batido o martelo e o governo decida, de fato, retirar a votação da pauta da assembleia marcada para o próximo dia 13, o atual presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, deverá ficar mais um tempo no cargo. Isso ocorreria até que o governo conseguisse acertar um novo nome e marcar uma assembleia para votar o conselho.

O Estadão/Broadcast apurou que o general não veria problemas em ficar mais um tempo no cargo. O governo corre para conseguir encontrar um nome, mas a visão é de que há pouco tempo hábil. Faz parte do rito da empresa uma verificação do nome pelo Comitê de Pessoas, órgão vinculado ao Comitê de Pessoas (Cope) da companhia.

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Petrobras: conheça os nomes que estão sondados para o comando da estatal

Nome de secretário do Ministério da Economia, Caio Mario Paes de Andrade, ganhou força, mas também outros nomes entraram no radar: Márcio Weber, Décio Oddone e Vasco Dias

Adriana Fernandes e Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2022 | 14h00

BRASÍLIA - A desistência de Adriano Pires para a Presidência da Petrobras e Rodolfo Landim para o Conselho de Administração da empresa explodiu a bolsa de apostas para os novos nomes para o comando da petrolífera brasileira.

O nome do secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Mario Paes de Andrade, ganhou força, mas também outros nomes entraram no radar: Márcio Weber, Décio Oddone e Vasco Dias.

Márcio Weber é atual conselheiro da empresa. Foi membro da Diretoria de Serviços da Petrobras Internacional (Braspetro) e Diretor da Petroserv S.A. Uma das vantagens é que ele pode “descer” do Conselho para a Diretoria Executiva. Já sendo conselheiro, ele poderia ser aprovado como presidente na reunião. Neste caso, contribui o fato de que os conselheiros já passaram pelo crivo da checagem exigida pelas regras de governança.

Oddone é ex-diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e atual diretor-presidente da Enauta. Foi CEO da Petrobras Bolívia e presidente do Conselho de Administração e CEO da Petrobras Energia. Experiente, Oddone tem como empecilho estar no comando da Enauta, que tem negócios com a Petrobras. O Estadão/Broadcast apurou que Oddone já recusou o convite porque só restam oito meses para o fim do atual governo. 

Já Vasco Dias foi ex-presidente da Shell Brasil. Mas tem conexão com a Cosan, de Rubens Ometto, a exemplo do Adriano Pires, que desistiu do cargo depois que o seu nome não passou no teste de governança da empresa. Atualmente é membro do Conselho de Administração da Cosan. Já foi diretor executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e presidente da Raízen Energia.

O nome do ex-secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia Márcio Felix (hoje na EnP Energy) e dos ex-conselheiros Cynthia Silveira e Omar Carneiro da Cunha também estão sendo citados nos bastidores. Ela hoje preside a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) e Cunha já trabalhou na Shell.

Para a presidência do Conselho de Administração, duas mulheres ganham força: Clarissa Lins, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, e a atual conselheira da Petrobras Sonia Villalobos.

Auxiliar do ministro da Economia, Paulo Guedes, Caio Andrade é bem visto no Palácio do Planalto. Ele não tem experiência na indústria de óleo e gás, nem foi CEO por muito tempo em grandes empresas, mas a avaliação é de que é possível aprovar seu nome porque foi presidente da Serpro e de empresas menores que ele fundou.

O secretário da equipe de Guedes, no entanto, tem a oposição do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que critica o fato de ele não ter experiência no setor de petróleo. Para Lira, a inexperiência dificultaria uma ação do futuro presidente da estatal na "solução" dos preços dos combustíveis. Hoje, o presidente defendeu mudanças na Lei das Estatais e também a privatização da estatal. 

O presidente Jair Bolsonaro se econtrou hoje com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, segundo a agenda oficial do chefe do Executivo. O ministro saiu sem dar declarações a jornalistas. Bolsonaro e Albuquerque já estiveram juntos na segunda no Rio de Janeiro, quando Pires avisou o governo de que havia desistido de ser o novo presidente da Petrobras após a empresa identificar conflitos de interesse entre o comando da estatal e a consultoria do economista na área de petróleo e gás. Já Landim disse ter recuado da ideia de chefiar o conselho para se dedicar à presidência do Flamengo, cargo que pretendia acumular com a estatal.

O governo corre contra o tempo e tem prazo para indicar nomes para os cargos: a próxima quarta-feira, dia 13 de abril, data da Assembleia Geral Ordinária da empresa que tratará do assunto. É neste momento que são votadas as indicações da União, acionista majoritária, depois da avaliação das aptidões e eventuais restrições para os cargos. Por ser controlador da Petrobras, o governo tem votos suficientes para emplacar suas indicações.

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