Governo pode ampliar PPI sem afetar contas públicas

O secretário do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, afirmou que o governo tem espaço para a ampliar o Programa Piloto de Investimento (PPI) sem afetar a sustentabilidade das contas públicas. Segundo ele, os cálculos do Tesouro mostram que a dívida pública continuará a cair mesmo com a ampliação dos investimentos do PPI, programa que permite a redução da meta do superávit primário das contas do setor publico. A meta de superávit - economia de gastos feita para manter a dívida pública sob controle - é atualmente de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB)."O impacto de um PPI maior não é significante do ponto de vista da trajetória da dívida", assegurou Godoy ao Estado. Ele afirmou que é o processo de queda de juros que, ao reduzir a despesa financeira do governo, abre espaço para a elevação do PPI. "A redução da carga de juros permite que se discuta a melhor eficiência na alocação de recursos e se considere a ampliação do PPI", disse.A justificativa é de que, com uma taxa de juros menor, investimentos que antes tinham taxa de retorno inferior ao custo da dívida agora podem ser feitos. "Quando a taxa de juros cai, aquele investimento que não compensava fazer porque o custo da dívida era grande passa a ser interessante", argumentou. O aumento dos investimentos públicos é um dos pontos principais do pacote de medidas que será anunciado na semana que vem pelo governo, sendo que boa parte desses investimentos será incluído no PPI. Godoy ponderou, no entanto, que não haverá mudança nos critérios de escolha dos investimentos que podem ser incluídos no PPI. "A filosofia inicial continua a mesma: investimentos com alta taxa de retorno final", disse. Godoy argumentou que até mesmo casas populares podem ser consideradas investimentos com retorno "à medida que reduzem as despesas do governo com saúde".O secretário contestou avaliações de que está havendo uma mudança na postura do Tesouro em relação à política fiscal, que estaria se tornando mais tolerante com a expansão dos gastos. "Nada mudou. O Tesouro continua com uma postura austera. Tão ou mais rigoroso do que sempre foi", garantiu.Segundo ele, não procede a avaliação de que os investidores estão desconfiados da política fiscal do Brasil. "Quem não está acreditando? O risco País só cai! Ele cai justamente porque há confiança", disse. Godoy considera natural a desconfiança de algumas analistas em relação às medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que o governo vai anunciar na semana que vem. Para ele, esse tipo de postura sempre acontece quando o governo está às vésperas de um anúncio de medidas importantes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.