Governo pode anunciar pacote cambial nesta quarta

Mantega não confirma, mas diz que governo estuda medidas com o objetivo de conter a queda do dólar

Adriana Fernandes e Isabel Sobral, da Agência Estado,

11 de março de 2008 | 15h14

Um pacote cambial com o objetivo de conter a desvalorização do dólar frente ao real poderá ser anunciado pelo Ministério da Fazenda nesta quarta-feira, informaram fontes do governo nesta terça. Mantega não confirmou o pacote, mas admitiu que o governo estuda medidas neste sentido. Entre elas está a intenção do governo de acabar com a cobertura cambial (exigência de que as receitas com exportação sejam internalizadas no País. Hoje, o governo permite que apenas 30% dos recursos sejam mantidos no exterior). Essa medida reduziria a entrada de dólares no País e diminuiria a pressão de queda sobre a moeda norte-americana.   Veja também:   BCs atuam para ajudar mercado de crédito Inflação da China excede previsões e sobe a 8,7% em fevereiro Petróleo bate novo recorde e chega a US$ 109 em Nova York Animadas após anúncio de BCs, bolsas européias fecham em alta ESPECIAL: Preço do petróleo em alta O sobe e desce do dólar  Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar       Uma flexibilização da cobertura cambial já foi decidida no início de 2007, quando o governo reduziu de 100% para 70% a necessidade de internacionalização da receita. O ministro destacou que isso já facilitou a vida dos exportadores e permitiu que não houvesse o trânsito de recursos com o fechamento cambial e o aumento de custos para as empresas.   Numa tumultuada entrevista, ele fez questão de ressaltar que a Lei das ZPEs (Zona de Processamento das Exportações), em processo de tramitação final no Congresso, tem a concordância do governo de acabar com a cobertura cambial para todos os setores de exportação.   O ministro evitou, contudo, confirmar que entre as medidas para conter a valorização do real está o fim da isenção do Imposto de Renda para os investidores estrangeiros que compram títulos da dívida interna. Esta medida também reduziria a entrada de dólares no País e ajudaria a conter a desvalorização do dólar.   Resistência à crise   Mantega disse que a sua preocupação com a valorização do real começou quando assumiu o Ministério, há dois anos. "Eu externo esta preocupação ao presidente, embora parte disso seja decorrência da melhoria do saldo comercial do País e da maior confiança e segurança dos investidores, porque, por outro lado, pode haver prejuízo das nossas exportações, principalmente de manufaturados", afirmou.   Segundo ele, desde aquele momento, o Brasil aumentou suas reservas internacionais. O ministro previu que as reservas possam, em breve, chegar a US$ 200 bilhões - até ontem, eram de US$ 194,204 bilhões -, o que confirma, na sua avaliação, o sucesso da estratégia do governo e que habilita a equipe econômica a enfrentar a atuação crise internacional "que não é pequena".   O ministro reforçou ainda a idéia de que a resistência da economia brasileira à crise internacional depende também do comportamento dos países emergentes. O ministro chegou a dizer que "enquanto a China for bem, a Índia for bem, a Rússia for bem e o Brasil for bem, podemos sustentar o crescimento da economia internacional. E até substituir o papel dos países avançados. E é isso o que tem sido feito até agora".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.