Governo pode conceder R$ 2,5 bi a produtores

Ministro da Agricultura admite estudo da linha de crédito, mas nega renegociação de dívida

Fabíola Salvador, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

O governo está disposto a abrir novas linhas de crédito ao setor agropecuário, mas descarta uma nova rodada de renegociação das dívidas dos produtores, medida que vem sendo defendida por lideranças do setor rural como resposta à crise internacional, que restringiu a oferta de recursos para o plantio e a comercialização da safra que será colhida em 2009. "Não se deve gerar expectativas, pois não vai haver renegociação de dívidas", disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O ministro informou que o governo estuda a criação de uma linha de crédito para fornecer capital de giro para empresas misturadoras de fertilizantes. Essas empresas importaram matéria-prima quando os preços estavam altos e agora não conseguem vender seus estoques porque os preços recuaram. O pedido é para liberar R$ 2,5 bilhões, disse o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que tem acompanhado as discussões. Os estoques somam 7 milhões de toneladas. Outra proposta prevê a capitalização das cooperativas com financiamentos aos cooperados e aumento dos recursos ao setor. Hoje, o governo financia apenas as cooperativas com linhas disponíveis, que somam R$ 700 milhões. A idéia é elevar o valor para R$ 2 bilhões, com recursos do Tesouro. Segundo fontes do governo, as medidas ainda não estão prontas. No curto prazo, a expectativa é que o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorize o setor cooperativista a pedir financiamentos separados para investimento e capital de giro. Hoje, os créditos são concedidos de forma "associada". A mudança, na avaliação do governo, dará fôlego às cooperativas. Segundo Stephanes, o governo está procurando resolver os problemas à medida que vão surgindo. Na semana passada, o CMN autorizou a criação de uma linha de R$ 500 milhões para refinanciamento das dívidas dos produtores do Centro-Oeste com a compra de máquinas e equipamentos. As parcelas em atraso vencidas no dia 15 de outubro somam R$ 1,2 bilhão. Lideranças do setor, no entanto, põem em dúvida a eficácia dessas medidas. A presidente eleita da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por exemplo, defende nova renegociação das dívidas rurais, dessa vez com pagamento vinculado à renda bruta anual de cada atividade. A última rodada de renegociação - que estabeleceu algum tipo de benefício para R$ 75 bilhões de um total de R$ 87,5 bilhões em dívidas do setor rural - foi concluída em setembro deste ano.

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