Governo pode incentivar outros setores além do automotivo, diz Piva

O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, que esteve reunido hoje pela manhã com Antonio Palocci, disse que o ministro da Fazenda está estudando a possibilidade de o governo dar incentivos a outros setores da economia como fez com o automotivo. "Qualquer setor que possa gerar um pouco de consumo por uma ponta e emprego pela outra vai ter apoio", disse Piva. Ele citou como exemplo o setor de construção civil e de produção da chamada linha branca de eletrodomésticos (geladeira, máquina de lavar roupa, freezer, por exemplo) que, segundo ele, não só permitem consumo como são altamente demandadores de mão de obra. "Seria importante criar neste momento programas de alto impacto, alguma espécie de apoio que possa dar para que esses setores se desenvolvam", afirmou. O presidente da Fiesp previu um segundo semestre melhor que o primeiro para a economia. Ele apontou, porém, uma dificuldade para que sua previsão se concretize: é que de agosto a setembro a indústria vai fazer muito esforço de desova de seus produtos e, por isso, vai empurrar um pouco para a frente a produção que tem tradicionalmente nos meses de agosto e setembro a melhor época. Piva acredita que haverá um crescimento 1,5% da atividade econômica este ano. "É pouco em relação aos 2,5% que previmos no início do ano e aos 4,5% que necessitaríamos, mas vamos ter um pouco mais de movimento", comentou. Ele voltou a defender a redução dos juros, e considerou que já houve avanços importantes com a redução do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista, mas alertou que é preciso ficar atento para que esta queda se transforme de fato em aumento de oferta de crédito. Projetos e investimentosO presidente da Fiesp disse que levou ao ministro a preocupação dos empresários com o momento atual de baixo nível de atividade da economia brasileira. "Nos dois últimos meses tivemos uma queda expressiva da atividade econômica, com estoques altos, pátios de montadoras cheios e as prateleiras dos mercados carregadas", disse Piva, ao deixar o Ministério da Fazenda. Ele disse que conversou com Palocci sobre as maneiras de se superar estas dificuldades com "planos, projetos e investimentos" para trazer um pouco mais de fôlego para a economia. O empresário disse que Palocci tem as mesmas preocupações da entidade com relação ao desenvolvimento do País "Ele (ministro) sabe perfeitamente bem quais os setores que precisam de mais apoio no curto e no médio prazo e quais os setores que tem vocação no longo prazo", afirmou. Segundo o presidente da Fiesp, setores como o de siderurgia e de papel e celulose estão entre os que precisam de incentivo do governo. Segundo ele esses setores "podem e querem iniciar uma fase de investimentos neste momento". Piva acredita que esse incentivo pode ajudar na melhora do saldo comercial. Ele reiterou que Palocci administra uma escassez de recursos e conflitos ao lidar com pressões de dentro do governo e de segmentos da sociedade e elogiou a iniciativa do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, de estimular as exportações, não só no mercado tradicional mas em outros mercados como a China, Russia, India e África.

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