Governo pode prorrogar medidas de estímulo

Empresários pedem mais tempo de redução do IPI e Mantega marca reunião com representantes dos setores que estão com o benefício para terminar

ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h03

Por enquanto, a estratégia é de silêncio. Governo e empresas não comentam a possibilidade de manter a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para não prejudicar o esforço de venda nos últimos dias do benefício. Mas a pressão do setor privado por uma nova rodada de medidas de estímulo ao consumo, para dar fôlego ao crescimento da economia no fim do ano, voltou com força total ao Ministério da Fazenda.

Com a retomada ainda discreta do crescimento econômico neste segundo semestre e o risco concreto de o Produto Interno Bruto (PIB) fechar o ano abaixo de 2%, consolida-se no governo a avaliação de que será preciso manter os estímulos de curto prazo por período maior para dar impulso à industria, que reage em ritmo lento. O governo também busca espaço para ampliar a desoneração da folha a novos setores e atender parcialmente a outros pedidos de corte de tributos.

Às vésperas do fim do prazo do IPI reduzido para automóveis e eletrodomésticos da linha branca (fogão, refrigerador, máquina de lavar e tanquinho), no próximo dia 31, setores que já receberam o benefício tributário pedem a prorrogação do incentivo e outros que ainda não foram contemplados querem ser atendidos. A fila de novos pedidos cresce a cada dia.

Reuniões. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou para a próxima semana várias reuniões em Brasília com representantes dos setores que estão com o benefício para terminar - praxe que ele já adotou no anúncio das últimas renovações de incentivo tributário. O agendamento animou os empresários.

Segundo apurou o Estado, a análise do ministro vai levar em conta o repasse do incentivo para os preços, dados de emprego e de produção. A geração de postos de trabalho é o item que mais preocupa o ministro. Além das montadoras e fabricantes e varejistas de produtos da linha branca, o setor de móveis e material de construção pressiona por mais benefícios. O setor de material de construção, que tem o IPI reduzido até o fim de dezembro, quer que o governo amplie em mais 50 produtos a lista de isenções, com extensão até 2013.

Ânimo. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, essa sinalização agora é muito importante para manter o ânimo das famílias e dos empresários para novos investimentos. O presidente do Instituto de Desenvolvimento para o Varejo (IDV), Fernando de Castro, destacou que a prorrogação do benefício até as vendas do Natal é importante para o emprego. Segundo ele, o setor deve garantir 600 mil postos de trabalho este ano.

Já o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, avalia que a redução do IPI tem efeito imediato nos preços, repassados ao consumidor. O setor também pede a desoneração da folha.

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