Governo pode reduzir IPI de automóveis

O governo estudará a possibilidade de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis. A afirmação foi feita na última terça-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao Estado. Segundo ele, a sugestão foi apresentada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mas o governo ainda não tomou sua decisão. "Tudo está em aberto", disse o ministro, que nesta quarta-feira tem reunião com representantes da entidade e dirigentes de montadoras. A declaração de Mantega dá um sinal mais favorável do governo em relação à possibilidade de estimular o setor automotivo. Na segunda-feira, após reunião com os dirigentes da Volkswagen, ele havia afirmado que não estava "preparado para mexer no IPI". Os empresários do setor, no entanto, podem esperar uma oposição dura da Receita Federal à proposta de redução do imposto. Segundo fontes, o órgão ainda não recebeu pedido de Mantega. O setor automotivo entrou no centro da agenda do governo depois que a Volkswagen anunciou, na semana passada, a demissão de seis mil funcionários de suas brasileiras para os próximos dois anos. Segundo a Volks, a medida é necessária porque as exportações da empresa se tornaram menos competitivas com a valorização do real ante o dólar. Para não tomar medidas que beneficiem somente uma companhia - e com base na análise de que o câmbio é um problema que atinge a todos os exportadores de veículos - o governo iniciou negociações com todo o setor automotivo. O objetivo é discutir soluções que aliviem o impacto do câmbio nas exportações e mantenham o ritmo de crescimento que o setor registrou nos últimos dois anos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda medidas que reduzam o custo do financiamento das empresas afetadas pela desvalorização do dólar. Continuidade da estratégiaApesar de ter mostrado no fim de semana desconforto com o nível do real ante o dólar, Mantega disse na última terça que o governo continuará com a estratégia atual. O Banco Central compra dólares no mercado para aumentar as reservas, o que também é feito pelo Tesouro Nacional - para pagamento de dívida externa.Tentando demonstrar otimismo, o ministro disse que há uma "tendência natural" de acomodação da taxa de câmbio, motivada pelo aumento das importações - que consomem dólares - e também pela trajetória de queda na taxa de juros, que reduz o apetite dos investidores externos pelos títulos brasileiros - o que enfraquece o fluxo de divisas para o País. "À medida que os juros baixam, as importações crescem e o BC segue atuando no mercado, o câmbio tende a se estabilizar", disse.O ministro ressaltou que o Tesouro não intensificará o processo de compra de dólares com o objetivo de valorizar a moeda americana. "Não vai mudar por causa disso. O Tesouro sempre compra quando tem dívidas a pagar", afirmou. Colaborou Renata Veríssimo

Agencia Estado,

10 de maio de 2006 | 09h27

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