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Governo pode reduzir porcentual de etanol misturado à gasolina em breve

Diminuição dos atuais 25% para 18% foi sinalizada com a edição de MP na véspera

Gustavo Porto, da Agência Estado,

29 de abril de 2011 | 18h12

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, admitiu nesta sexta-feira, 29, que o governo pode reduzir a mistura do etanol anidro à gasolina nos próximos dias para frear a alta dos preços do combustível de petróleo causada pela disparada do álcool. A redução, dos atuais 25% para até 18%, foi sinalizada ontem com a edição de uma Medida Provisória que reduziu em dois pontos porcentuais o piso de mistura, anteriormente em 20%.

"Tem sinalização, sim e pode ser que haja a redução de mistura. A MP prevê que chegue aos 18% e permite que, se necessário, o governo estude isso", afirmou Rossi à Agência Estado. Apesar de o ministro não precisar uma data para a redução, fontes do mercado avaliam que a decisão, se tomada, deve ocorrer até a próxima semana. Para isso, basta uma reunião do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), que normalmente é realizada por telefone e sob um consenso dos ministros integrantes do órgão.

Rossi demonstrou a irritação do governo com o setor sucroalcooleiro já que, segundo ele, houve um aumento forte do etanol anidro, que impactou a gasolina, justamente durante as negociações sobre abastecimento e preços do combustível. "Uma semana atrás a manchete nos jornais foi o aumento de 10% no preço do anidro; o governo estava em negociação com o setor e isso foi considerado um ato claramente ostensivo de aproveitamento exagerado de uma oportunidade de mercado pela falta de oferta", criticou o ministro.

Ele elogiou a MP 532, a qual determina que o etanol produzido da biomassa passe a ser um produto energético, não mais agrícola, com regulação e fiscalização na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e reafirmou o descontentamento do governo com os usineiros. "O principal efeito da MP é dizer que o governo na está para brincadeira e não está satisfeito com desempenho do setor em relação às garantias de suprimento", disse Rossi. Ele considerou também necessária a saída do etanol da responsabilidade do Ministério da Agricultura para a ANP. "Açúcar é alimento, mas etanol é combustível."

O ministro reafirmou ainda que o governo irá financiar a retomada do setor sucroalcooleiro, cujos investimentos em ampliação de usinas e destilarias foram praticamente suspensos desde 2008, mas que exigirá a garantia de abastecimento do etanol. "Se o governo vai ajudar com financiamento, apoio ao setor, ele exige o mínimo, que é abastecimento", afirmou Rossi.

Por fim, Rossi revelou que avalia, no Plano de Safra 2011/2012 da agricultura, um "apoio forte à recuperação e renovação de canaviais, com linhas de apoio de financiamento" já que a produtividade da cultura caiu nos últimos anos com a redução nos investimentos.

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