Governo pode reduzir superávit para aumentar investimentos

Para elevar os investimentos em infra-estrutura neste ano, o governo poderá efetivamente reduzir o superávit primário do setor público para até 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, informou uma fonte da equipe econômica à Agência Estado. A meta de 4,25% do PIB não sofrerá alteração, mas o governo, por meio do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) - mecanismo que permite não considerar como gasto alguns investimentos -, deve atuar nesse sentido. "Há uma decisão de aumentar os investimentos em infra-estrutura, mesmo que isso implique em uma redução do superávit primário até o limite de 0,5% do PIB", disse o técnico.Apesar dessa decisão, a concretização desse cenário em 2007, segundo a fonte, não necessariamente ocorrerá. Isso porque, explicou, o resultado fiscal depende do ritmo de execução orçamentária, do andamento e pagamento das obras prioritárias e também, por outro lado, do desempenho da arrecadação. "Não haverá aumento de carga tributária, mas com um crescimento maior na economia a arrecadação pode crescer mais e impactar positivamente o resultado primário", argumentou. "O superávit efetivo a gente só vai saber ao fim do ano", acrescentou.De acordo com essa fonte, o governo avalia que mesmo com um superávit efetivamente menor, um resultado fiscal de no mínimo 3,75% do PIB "é consistente para preservar uma trajetória de queda na relação dívida/PIB". O integrante do governo descarta avaliações de que isso seria uma flexibilização da política fiscal. "A gestão sobre as demais despesas será muito mais controlada. Haverá muito mais rigor nas outras contas", disse, em referência às despesas correntes, cujo ritmo de crescimento é apontado pelos analistas como um dos grandes problemas do País.MercadoA decisão de reduzir a meta de superávit primário de 4,25% para 3,75% já começa a fazer parte dos cenários traçados pelos analistas do mercado financeiro. "O melhor era não usar o PPI e deixar a meta mesmo em 4,25% do PIB. Mas não sendo assim temos que trabalhar com essa realidade", disse um analista. Os cenários de dinâmica da queda da dívida pública são os mais afetados pela alteração. "Com um superávit de 4,25% do PIB, a dívida poderia cair mais rapidamente", comentou um analista. Com a redução mais rápida do endividamento público, o governo, de acordo com este analista, poderia encontrar uma maneira para também diminuir o tamanho da carga tributária, que é estimada hoje em torno de 38% do PIB.Com uma carga menor, a própria capacidade de crescimento da economia poderia ser ampliada. "Poderíamos começar a pensar em deixar para o passado as nossas taxas medíocres de crescimento", disse um analista. Nos últimos anos, a taxa média de crescimento do PIB tem patinado entre 2,5% e 2,7%. "Uma expansão maior poderia gerar alguma elevação da inflação", comentou um outro analista.As próprias projeções de inflação podem ser afetadas pela redução da meta de superávit primário. "Uma redução de superávit significará mais um impulso para uma demanda que já se encontra aquecida", comentou um analista. Em conseqüência, a velocidade de queda dos juros imprimida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) tenderá a ser mais lenta. Matéria alterada às 16h11 para acréscimo de informações

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