Governo pode usar revisão de contratos no controle da inflação

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, afirmou hoje que as concessionárias de serviços públicos poderiam sair ganhando com uma eventual redução dos índices de reajuste aplicados nos contratos de concessão. Em referência à possibilidades de o governo federal aproveitar a revisão dos contratos em 2006 como um mecanismo adicional de controle à inflação, Mantega disse que este pode ser um reajuste "de interesse das duas partes"."A renegociação é lícita, mas ela pode ser do interesse das duas partes, pois uma redução eventual dos preços pode levar a um consumo maior. A concessionária pode perder de um lado e ganhar do outro", comentou Mantega.O presidente do BNDES destacou que, apesar de o governo insistir que não tem a intenção de romper contratos de concessão, iniciativas capazes de baratear o custo em setores, como o de energia, estão na lista estratégica do País. "Estamos interessados em aumentar o consumo de energia, em que o País tenha energia barata e que o consumidor, tanto industrial, quanto doméstico, possa estar satisfeito com um preço menor."Mantega participou hoje de um seminário promovido pela Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) para discutir formas de financiamento para a expansão do setor elétrico.Preocupação com preços administradosO interesse do governo na revisão dos contratos de concessão tem por base a pressão de alta dos preços administrados. Os contratos já estabelecidos têm índice de reajuste, cuja alta tem sido mais acentuada. Os preços administrados são um dos componentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado como referência para a meta de inflação.Pesquisa realizada pelo Banco Central na última sexta-feira com analistas econômicos e instituições financeiras mostra que há nove semanas a inflação medida pelo IPCA está em alta. Nesta semana, a expectativa de inflação no varejo teve evolução mais acelerada, inclusive, que nas pesquisas anteriores, divulgadas todas as segundas-feiras. De acordo com o Boletim Focus, a projeção do IPCA para este ano evoluiu de 6,15% para 6,28% em uma semana.Em termos porcentuais, o maior aumento refere-se aos reajustes dos preços administrados ou monitorados por contrato, que envolvem combustíveis, energia elétrica, telefonia, educação, remédios, transporte urbano, água e esgoto, dentre outros. O acumulado desses itens deve chegar a 7,65% no final do ano, e não mais os 7,40% estimados na semana passada.

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