Governo poderá impor redução nos prazos do crédito

Inicialmente, Mantega quer discutir questão com bancos, mas não descarta resolução pelo CMN

Agência Estado,

24 de março de 2008 | 10h42

O governo começa a discutir nesta terça-feira a redução dos prazos dos crediários. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai se reunir com representantes das instituições de crédito e bancos para discutir esta possibilidade. O objetivo do governo é reduzir o consumo e impedir que o seu crescimento descontrolado implique em alta da inflação. Mantega quer chegar a um acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), mas não descarta definir o prazo por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), se as negociações não foram satisfatórias.  Uma das idéias em discussão é limitar o financiamento para a compra de veículos em 36 meses. Hoje, um carro pode ser financiado em até 99 meses. A preocupação do governo com a volta da inflação está relacionada à política monetária. Com a inflação em alta, o Banco Central (BC) poderá subir os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em abril, como já é cogitado por analistas de mercado e foi sinalizado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária Copom. Além disso, o consumo desenfreado pode trazer inadimplência e prejudicar o sistema financeiro, como acontece hoje nos Estados Unidos. Este cenário de juro elevado e inadimplência em alta pode comprometer o crescimento do País em 2009 e 2010.  O governo também quer se reunir com representantes do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), para discutir a forte elevação do preço do aço e com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) para tratar de aspectos do crescimento no setor. Crescimento econômico Mantega avalia, segundo fontes da área econômica, que o crescimento econômico deste ano "já está dado" e deverá ficar em torno de 5%. Ao pensar em medidas que possam conter o consumo, a preocupação do ministro é "garantir um crescimento sustentado em 2009 e 2010", disse em recente reunião.  Os assessores do Ministério da Fazenda lembraram que a demanda das famílias está crescendo 7% ao ano, o que é considerado insustentável. Essa demanda exacerbada poderá comprometer um crescimento econômico sem inflação nos próximos anos. "O objetivo é tomar medidas preventivas agora, que possam evitar o caminho ortodoxo adotado em 2004, quando o Banco Central elevou a taxa de juros para conter a demanda", explicou um assessor da área econômica.  "Não queremos puxar o freio da economia (elevar os juros), pois sabemos que as pressões de demanda são localizadas", disse outra fonte, citando a indústria automobilística. "Não é a economia como um todo que cresce de forma insustentável, mas alguns setores estão em ritmo forte demais." O setor habitacional está entre os que não devem sofrer limitação, pois cresce, segundo as avaliações, em ritmo adequado e sustentado.  Para o governo, o problema dos prazos muito longos no financiamento dos veículos é que o bem adquirido perde o valor com o tempo, o que reduz as garantias do banco se houver inadimplência.

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