Governo poderá intensificar controle de remessa ao exterior

O governo poderá apertar o controle sobre a remessa de dinheiro por brasileiros ao exterior. ?Conversaremos isso seriamente e chegaremos a uma conclusão como um time?, disse ontem o ministro do Controle e da Transparência, Waldir Pires. Ele pretende dialogar com outros órgãos do governo, como Receita Federal e Banco Central, a respeito de medidas que aprimorem o controle.A Controladoria Geral da União (CGU), comandada por Waldir Pires, está investigando 411 funcionários públicos que remeteram dinheiro ao exterior, via contas CC-5, por intermédio de uma agência do Banestado em Foz do Iguaçu (PR) entre 1998 e 2002.A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário desse grupo, suspeito de haver remetido irregularmente US$ 350 milhões ao exterior, segundo informou reportagem da revista IstoÉ desta semana. O dinheiro foi para conhecidos paraísos fiscais, como Ilhas Cayman e Bahamas, mas também houve remessas para os Estados Unidos.Reportagem e repercussõesA reportagem teve acesso a parte dos documentos que compõem uma investigação que está sendo conduzida pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela CGU. Esta última entrou nas investigações porque há suspeita de corrupção de servidores públicos. ?É um trabalho meticuloso que começou no ano passado?, disse Pires. ?A conclusão não deve demorar.?Pelo fato de as investigações ainda estarem em curso, o ministro não adiantou maiores informações. Ele sequer confirmou nomes dos suspeitos que foram listados pela revista. ?Estamos absolutamente cuidadosos no interesse do patrimônio nacional, mas não é possível precipitar conclusões para não cometer injustiça?, disse o ministro.Ele informou que, uma vez constatado desvio de recursos públicos, a União tentará reaver o dinheiro. Adiantou, porém, que essa é uma tarefa muito difícil. De acordo com os investigadores ouvidos pela Isto É, a remessa supostamente ilegal de recursos ao exterior foi facilitada por deficiências nos controles da Receita e do Banco Central.Um problema apontado por eles é a falta de troca de informações entre esses dois órgãos do governo. Pires disse que essa questão deverá ser tratada dentro do governo, embora não caiba à CGU propor medidas. A reportagem mostra que, nos mais variados órgãos do governo, há exemplos de funcionários que enriqueceram rapidamente e mandaram dinheiro para o exterior. Há casos nos ministérios da Cultura, da Educação, na própria Receita Federal, na Previdência Social e outros.

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