Governo poderá socorrer empresas no País, diz Miguel Jorge

Segundo ministro, ajuda será analisada caso a caso; estimativa é que 200 serão atingidas pela alta do dólar

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

15 Outubro 2008 | 07h35

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse nesta quarta-feira, 15, pela manhã, em Nova Délhi, que o governo poderá socorrer empresas que enfrentarem problemas por terem especulado no mercado financeiro, mas avisou que isso será feito caso a caso. "O princípio é de não deixar as empresas ficarem desassistidas, mas, também, eu diria que não iremos fazer isso a qualquer preço", advertiu ele, alegando que o número de empresas que poderão enfrentar problemas com a crise é um dado considerado "estratégico", que deve ser de conhecimento apenas do Banco Central. As informações que circulam no governo dão conta de que mais de 200 empresas serão atingidas com a alta da dólar.   Veja também: Na Índia, Lula defende união mundial contra crise financeira Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Miguel Jorge assegurou ainda que apenas pequenos bancos, sem qualquer impacto no mercado tiveram prejuízos com estas operações em dólar. "Não tenho informação de bancos que possam ser atingidos. O que há são pequenos bancos. O que tem sido anunciado é que os bancos maiores compraram dos menores suas carteiras de crédito, carteiras de automóveis, carteiras de crédito consignado, para que estes bancos pequenos pudessem ter uma liquidez maior. Mas, insisto, são bancos pequenos, que não terão um efeito muito grande no sistema financeiro como um todo", declarou o ministro. "Mas, é claro que, mesmo sendo bancos pequenos, você não pode deixar que haja problema de liquidez nestes bancos e é o que está sendo feito: os bancos grandes comprando as carteiras e injetando dinheiro nestes bancos pequenos".   De acordo com o ministro Miguel Jorge, "até agora não foi necessário injetar recursos para socorrer as empresas que estão enfrentando problemas por terem especulado com o dólar. "São empresas grandes, que têm fôlego financeiro para arcar com os prejuízos que foram causados por elas mesmas", disse.   Indagado se o governo poderá socorrê-las, caso seja necessário, o ministro respondeu: "analisaremos caso por caso. Até agora não foi necessário porque, como disse, foram empresas grandes. Elas têm fôlego para absorver seus próprios prejuízos e suas próprias irresponsabilidades". Para ele, muitas empresas sofrerão porque especularam. "Poderiam, ter ganhado, mas muitas perderam. E agora vão pagar por terem feito este jogo", avisou.   Miguel Jorge é um dos seis ministros que integra a comitiva que acompanha o presidente Lula na reunião do IBAS-Índia-Brasil e África do Sul, em Nova Délhi. Na terça-feira, 14, o assessor internacional da presidência, Marco Aurélio Garcia, havia dito que o governo assegurou que as empresas não ficarão desassistidas, mas que a ajuda será dada com responsabilidade, seguindo todos os parâmetros legais.   Ao citar as medidas que estão sendo adotadas pelo governo, o ministro Miguel Jorge lembrou que no caso dos exportadores, por exemplo, é preciso ter financiamento para as exportações e no caso das empresas que tiveram perdas com o câmbio, será preciso conceder empréstimos para permitir que elas recebam liquidez, via mercado financeiro. "Não interessa para o governo ver empresas quebrando porque isso gera desemprego", comentou Miguel Jorge.   Dólar e Bolsas de valores   Miguel Jorge disse ainda que a avaliação é que o câmbio ideal para garantir o volume de exportações, neste momento, seria entre R$ 1,80 e R$ 2. "A minha percepção é de que deve ficar por volta de 2,00 e para as empresas exportadoras é bastante razoável. Era isso, aliás, que as empresas exportadoras pediram durante muito tempo, quando estava entre R$ 1,60 e R$ 1,70". O ministro considerou "um bom sinal" o fato de as bolsas terem subido nos últimos dois dias, assim como o dólar ter descido para níveis mais adequados. Na opinião de Miguel Jorge, os efeitos que não estavam ainda sendo sentidos pelo sistema financeiro europeu, começaram a apresentar resultados, refletido nas bolsas. Mas nesta quarta-feira, observou, as bolsas na Ásia abriram em baixa.   Miguel Jorge lembrou que o nosso sistema financeiro "não participou deste jogo que ocorreu em outros países, porque no Brasil há uma regulamentação muito grande dos bancos e uma fiscalização do Banco Central, ao contrário do que ocorre e outros países, principalmente nos EUA". Para ele, neste aspecto o sistema financeiro brasileiro acabou bastante beneficiado em relação a outros países. Para Miguel Jorge, "as empresas que estão sofrendo não é porque investiram em dólar, é porque especularam com o dólar".   Questionado se essas grandes altas e baixas das bolsas eram irracionais, o ministro observou: "isso está um pouco irracional. Tanto você tem subidas grandes, como você tem descidas grandes. Hoje estou vendo as bolsas em queda. E isso não tem explicação porque não aconteceu nada de um dia para o outro pra que haja comportamento tão errático no mercado de capitais".   Ao falar novamente sobre o patamar do dólar, Miguel Jorge , depois de lembrar que "ninguém faz negócio em uma situação como esta", citou que o valor considerado ideal é na cada dos R$ 2 reais. "Com cada exportador que você fala você vai ter uma resposta. Para uns R$ 1,80 já era razoável, para outros o valor é de R$ 2, e outros, R$ 2,20 é excepcional. Portanto, imagino que deva ficar entre R$ 1,80 e R$ 2,00. Mas também tudo isso é bola de cristal."   Questionado se para manter o comportamento deste ano nas exportações, no próximo ano, o dólar tem de ficar em R$ 2, Miguel Jorge disse que não, justificando que a meta foi feita em uma taxa muito inferior a esta. "Mas também não tinha uma redução da atividade econômica nos outros países, como os países europeus e os EUA. A vantagem que nos temos é a grande diversificação de mercados que tivemos nos últimos anos e que continuaremos procurando. Agora temos de procurar diversificar mais ainda os mercados brasileiros", declarou o ministro.   O ministro acrescentou ainda que "a manutenção desta taxa de R$ 1,80 a R$ 2,00 é confortável para manter o nível de exportações atuais". E emendou: "Isso ajudaria mais os exportadores e tornaria competitivo os produtos, mas de qualquer forma, não adianta nada você ter uma taxa mais competitiva se você tem mercados que estão comprando menos, porque uma coisa anula a outra. Nós esperamos que esta recessão não seja tão profunda como alguns estão prevendo, principalmente nos mercados europeus e EUA", completou.

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