Governo português rejeita proposta de 1,5 bi de dono da Avianca pela TAP

As pretensões do empresário colombiano-brasileiro Germán Efromovich de incorporar a companhia aérea portuguesa TAP a seu conglomerado caíram por terra na tarde de ontem. Ao término de uma reunião do Conselho de Ministros, o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciou que a proposta apresentada pela Synergy Aerospace, que oferecia € 1,5 bilhão pela empresa, não será aceita.

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h07

As negociações com o empresário estão encerradas, mas a privatização não será abandonada. A venda da TAP é uma das principais do programa de privatizações exigido pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em contrapartida do programa de socorro de € 78 bilhões concedido ao país em 2011 para enfrentar a crise das dívidas soberanas.

A venda da companhia aérea é tratada como assunto estratégico pelo premiê Passos Coelho, que via com bons olhos a transferência do controle acionário da TAP para uma empresa brasileira. Candidata, a Synergy Aerospace, que agrupa as companhias Avianca Brazil e AviancaTaca, havia oferecido um total de € 1,5 bilhão pela TAP.

Do total, € 1,2 bilhão seriam usados para saldar a dívida da empresa. Duas recapitalizações, uma de € 166 milhões e outra de € 150 milhões, também eram previstas, e só reservavam € 35 milhões ao Tesouro português.

Oferta 'predatória'. A proposta foi recusada em reunião do Conselho Ministerial ontem. De acordo com o governo, as promessas "não foram garantidas inequivocamente". "Ou o governo aceitava a proposta vinculativa ou não a aceitava. Esse processo termina aqui e não há mais nada a discutir", afirmou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, referindo-se às negociações com a Synergy.

As tratativas para a privatização, entretanto, prosseguirão. "O governo vai reavaliar a estratégia", confirmou a secretária de Estado do Tesouro, Maria de Luís Albuquerque. "Teremos em conta as circunstâncias do mercado, mas reafirmamos a intenção de prosseguir", reiterou. Segundo a executiva, "a venda de uma companhia de aviação nas atuais circunstâncias é sempre um processo difícil".

A proposta de Efromovich havia sido apresentada ao governo português em 7 de dezembro. Embora houvesse grande expectativa em torno da decisão, o governo já dava sinais de insatisfação com a oferta feita pelo empresário colombiano-brasileiro, visto em Portugal como um "tubarão" que compra companhias em crise.

Ao jornal Público, Monteiro já havia antecipado na quarta-feira que o Estado não conseguira melhorar as condições. "Desde que o investidor apresentou a última proposta, no fim da semana passada, não saíram quaisquer melhorias nas negociações", disse o secretário. Em entrevista à rede TVI na terça-feira, Efromovich afirmara que seu objetivo era "fazer a TAP crescer".

O empresário também prometia aumentar a frota de aviões até 2015 e, com isso, ampliar os voos para países da América Latina e para Moçambique.

O empresário foi o único interessado a formalizar uma proposta pela TAP. Outros dois grupos, Alitalia, da Itália, e a International Consolidated Airlines Group (IAG), holding da britânica British Airways e da espanhola Iberia, chegaram a demonstrar interesse na aquisição, mas não confirmaram a oferta.

Após o anúncio, líderes sindicais e parlamentares saudaram a decisão do governo de Passos Coelho. A data da retomada do processo de privatização não foi informada ontem.

Procurada ontem pela reportagem, a Avianca não respondeu aos pedidos de entrevista.

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