Governo precisa criar 1,6 milhão de vagas para cumprir promessa

No primeiro semestre, total de novas posições ficou em 1.414.660; no mesmo período de 2010, desempenho foi melhor, com 1.634.357 - já com ajuste

Célia Froufe, da Agência Estado,

19 de julho de 2011 | 14h13

O governo precisa criar aproximadamente 1,6 milhão de novos empregos no segundo semestre deste ano para cumprir a meta estabelecida para 2011, de 3 milhões de vagas com carteira assinada no País, já descontadas as demissões. Segundo informou o Ministério do Trabalho nesta terça-feira, 19, o saldo líquido de trabalhos formais criados em junho foi de 215.393, fazendo com que a geração de vagas líquidas formais no primeiro semestre some 1.414.660. No ano passado, no primeiro semestre, total foi maior, de 1.634.357 - já com ajuste.

"Sou voz isolada, mas o segundo semestre será melhor", previu. Segundo ele, o impulso será verificado na segunda metade do ano, ao contrário do que ocorreu em 2010. De acordo com o ministro, de julho a dezembro do ano passado, a geração de empregos públicos foi penalizada por conta das eleições, o que não deve ocorrer este ano. "O segundo semestre de 2010 teve efeito forte do processo eleitoral, mas agora muitos processos vão deslanchar", estimou.

Apesar do saldo menor de geração de empregos acumulado de janeiro a junho deste ano na comparação com o mesmo período de 2010, Lupi insiste que não há desaceleração do mercado de trabalho brasileiro. "Não vejo desaceleração, pode haver é um crescimento menor", avaliou, admitindo porém, em seguida, a existência de "uma pequena queda" de um ano para o outro.

Junho. O Ministério destacou que o volume de empregos criados em junho - de 215.393 - foi o segundo melhor resultado para o mês da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A série do Caged teve início em 1992, mas os ajustes foram realizados a partir dos dados de 2002. O recorde para o mês foi de 345 mil novas vagas líquidas formais, registrado em junho de 2008, momentos antes do auge da crise financeira internacional.

Os dados de junho deste ano refletem, de acordo com o Ministério, o "bom dinamismo do mercado de trabalho". O número de admissões do mês passado foi de 1.781.817, enquanto as demissões somaram 1.566.424. Nos dois casos, o resultado é o maior para o mês em questão. Em 12 meses, a criação de vagas com carteira assinada no País, já descontadas as demissões, soma 2.249.365.

Setor de destaque. A agricultura foi o setor econômico que mais gerou empregos com carteira assinada em junho. Foram criadas no campo 75.227 vagas, com destaque para o cultivo de café (21.765 postos) e cultivo de frutas cítricas (13.301 postos). "Minas, São Paulo e um pouco de Centro Oeste foram os principais responsáveis", avaliou o ministro.

Serviços foi o segundo setor que mais abriu vagas com carteira assinada, atingindo 53.543 novos postos no mês passado. Este é o terceiro melhor resultado para o segmento e merecem ênfase as áreas de Serviços de Alojamento e Alimentação (21.864 novos postos) e Serviços Médicos e Odontológicos (9.132 novos postos).

A Construção Civil foi a responsável pela geração de 30.531 postos de trabalho, o segundo melhor resultado para o mês. Já o comércio criou 29.967 vagas com carteira assinada no mês passado, o terceiro melhor para junho. A indústria da transformação injetou 22.618 novas pessoas no mercado de trabalho, já descontando as demissões. A Extrativa Mineral, apesar de ter criado apenas 1.752 postos no mês passado, obteve o recorde para o mês em questão.

O Sudeste segue como o maior gerador de emprego com carteira assinada no País. Mesmo assim, o ministro Carlos Lupi, prevê que a região Nordeste auxiliará na meta de atingir 3 milhões de novos empregos formais este ano, pois deve ganhar impulso na segunda metade de 2011.

"Ano a ano, o Nordeste está crescendo acima da média nacional e é uma das coisas em que eu aposto para o impulso do segundo semestre", afirmou há pouco, durante entrevista coletiva de imprensa. "É cíclico. No segundo semestre, Nordeste e Centro-Oeste crescem mais por conta de questões como início da safra", ressaltou.

De acordo com os dados do Caged, no mês passado o Sudeste foi responsável pela criação de 124.292 postos de trabalho formal, já descontadas as demissões do período. O Nordeste apresentou geração de 39.953. No Centro-Oeste, foram abertas 23.163 vagas formais líquidas, enquanto no Sul o resultado foi de 16.063 postos e, no Norte, 11.922 postos.

Na primeira metade do ano, a liderança na geração de empregos com carteira assinada, já descontadas as demissões, também cabe ao Sudeste (863.809 postos), seguido por Sul (247.047), Centro-Oeste (159.149), Nordeste (80.801) e Norte (63.854).

Semestre. No primeiro semestre do ano, o setor de serviços gerou 564.170 postos de trabalho com carteira assinada, segundo os dados do Ministério do Trabalho. O volume é recorde para o período, segundo informações do Caged. Apesar de também ter apresentado um saldo expressivo para o semestre em questão, o setor extrativo mineral gerou 11.373 vagas formais, já descontadas as demissões.

A indústria da transformação foi o segundo setor que mais gerou empregos no período - um total de 261.515 postos. No setor agrícola, foi observado um incremento de 235.381 novos empregos com carteira assinada na primeira metade do ano. "A agricultura está muito forte, com altas safras de café e de soja, mas sabemos que, em meados do segundo semestre, isso já começa a cair com entressafra", destacou Lupi. A construção civil gerou 186.224 postos no primeiro semestre do ano e o comércio, 120.982 vagas.

Salários. Os salários médios de admissão passaram de R$ 874,14 no primeiro semestre do ano passado para R$ 900,70 no mesmo período de 2011. Os valores representam um incremento real, já descontada a inflação do período, de 3,04%.

O Ministério destaca que o crescimento do salário médio real de admissão pago ao homem foi de 3,88% no período, enquanto o das mulheres, de 1,93%. "Apesar de ter mais mulher com nível superior do que homem no mercado de trabalho, elas ganham menos que eles", observou Lupi. "Isso é discriminação. É mais barato contratar mulher do que homem", continuou.

De acordo com o levantamento do Ministério, os três Estados que apresentaram maiores aumentos reais no salário de admissão no primeiro semestre deste ano em relação ao de 2010 foram Paraná (6,55%), Pernambuco (5,27%), Amapá (4,12%) e Santa Catarina (3,88%). Já os Estados que apontaram redução real de salário de admissão no período foram Sergipe (-3,64%), Piauí (-2,97%), Roraima (-1,36%) e Tocantins (-0,60%).

(Texto atualizado às 15h56)

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