'Governo precisa gastar de forma mais eficiente'

Na avaliação do economista, é justo o aumento do gasto social, mas é preciso um corte na estrutura pública

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2013 | 02h10

O economista Nelson Marconi, vice-presidente da Associação Keynesiana Brasileira, acredita que o governo tem de ser mais eficiente no gasto. No curto prazo, ele não vê uma gravidade excessiva na política fiscal. Mas, se a tendência for mantida, diz Marconi, o rating do Brasil pode ser rebaixado pelas agências de risco.

Qual é o cenário fiscal?

As despesas sociais estão aumentando. É justo que o governo aumente as despesas na área social e olhe o que está acontecendo com o seguro-desemprego, por exemplo. Mas eu entendo que o problema maior não é o governo cortar os gastos, mas é tentar gastar de forma mais eficiente.

É um problema só de eficiência?

É um problema de gestão e de eficiência. Se ele tem que gastar mais em benefício, precisa cortar em estrutura.

Gastar mal é um problema antigo no Brasil. Por que ficou mais evidente agora?

Isso foi evoluindo. Se o governo não toma uma medida de diminuir isso ao longo do tempo, vai acumulando cada vez mais. É por isso que piora. Hoje, existe uma estrutura ministerial que está muito vinculada à política do governo.

Ela é resultado do presidencialismo de coalizão?

Exatamente. O governo faz a acomodação dos acordos políticos e para isso usa os ministérios. Para criar um ministério, é preciso uma estrutura administrativa, com uma série de novas despesas. Eu acho que o governo do PT contribuiu para a melhora da distribuição da renda, mas é muito ineficiente na questão da gestão.

Como os gastos sociais devem ser comportar?

Os gastos sociais vão continuar evoluindo porque o salário-mínimo seguirá aumentado. Eu acho justo melhorar o gasto social, mas, na outra ponta, o governo precisa fazer o ajuste para não cortar ajuda social. Até porque, infelizmente, ele já cortou o investimento.

Qual é gravidade da situação fiscal do Brasil?

Eu não acho uma gravidade excessiva no curto prazo. Mas, se essa tendência for mantida, vai criar uma pressão sobre a dívida pública e daqui a alguns anos poderemos ter problemas mais sérios.

Quais problemas?

Pode ser um eventual rebaixamento do rating do Brasil pelas agências de risco.

Qual é chance de resolver essa questão fiscal no curto prazo?

Pode ser que o próximo presidente ou a própria Dilma resolva ser mais rigoroso com relação as despesas. Mas eu não acredito que alguém vá mexer nisso faltando um ano para a eleição. No curto prazo, não vejo como mudar isso, não.

Além de um rebaixamento, quais são os riscos de se levar esse problema para o próximo mandato presidencial?

O risco é ter um aumento da dívida da bruta, e uma elevação dos juros para compensar a alta da despesa do governo. Se o governo continuar expandindo as suas despesas do ponto de vista fiscal, provavelmente o Banco Central vai continuar sendo contracionista na política monetária. Uma coisa vai compensar a outra, e economia vai acabar não saindo do lugar. / LUIZ GUILHERME GERBELLI

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