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Governo prepara medidas para conter alta no preço dos alimentos

Ministério da Agricultura avalia que a escalada dos preços dos alimentos continuará nos próximos dois meses, libera estoques de milho, especialmente para o Nordeste, e discute medidas para ajudar os produtores de hortifrutigranjeiros

Mauro Zanatta, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2014 | 02h06

 BRASÍLIA - O festival de aumentos dos preços dos alimentos levará o governo a tomar medidas para atenuar a alta da inflação. Em reunião prevista para terça-feira, a câmara técnica do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) determinará a venda de estoques de milho para abastecer algumas regiões, sobretudo o Nordeste, e discutirá ações em alimentos básicos, como o feijão, afetado pelo clima nas principais áreas produtoras do País.

O movimento do conselho corrobora o alerta do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, aos senadores nesta semana, sobre o impacto do choque de preços nos alimentos na inflação. Em plena safra dos grãos, esperava-se recuo nos preços. Mas as cotações seguem trajetória ascendente pela terceira vez nos últimos anos.

No governo, avalia-se que a escalada dos principais itens de alimentação continuará nos próximos dois meses. "Temos essa preocupação, sim. Por isso, vamos tomar medidas", disse o novo ministro da Agricultura, Neri Geller, ao Estado.

Os elementos que sustentam a previsão reservada do governo vão desde a seca prolongada até as chuvas que afetaram hortigranjeiros, gerando a "inflação da salada". Nessa conta também está a demora na recomposição dos estoques globais, a redução da oferta mundial de produtos básicos, incluindo milho nos Estados Unidos e trigo na Ucrânia. A origem da escalada, avalia-se, está na quebra histórica da safra americana de 2012 e na mudança estrutural do padrão de consumo na Ásia, especialmente na China.

Crédito. O governo avalia lançar uma linha de financiamento para estufas que cobrem hortigranjeiros, o que ajudaria a reduzir estragos das chuvas, além de incentivar o setor de sementes. "A qualidade é baixa e os preços estão altos", diz o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias. "Sem semente, não tem recuperação da safra." Os preços internos se mantêm elevados por algumas razões. E os estoques finais dos grãos no Brasil, à exceção do milho, estão abaixo da média histórica das últimas cinco safras.

A cesta básica está em alta: o índice Ceagesp, referência nacional para 150 produtos, subiu 3% em 2013 e quase 8% em janeiro e fevereiro - 34% em legumes e 61% em verduras.

A cotação da soja, avalia o governo, deveria estar 20% mais baixa, o que ajudaria a conter o preço das carnes, em franca disparada nos últimos dias - a arroba do boi passou de R$ 95 para R$ 120 e os preços do leite subiram 7,3% sobre janeiro de 2013. O milho, prejudicado pela seca, tem safras menores a cada ano. Base da ração de bovinos, suínos e aves, saltou de R$ 26,54 para R$ 33 a saca só neste ano.

No arroz, produtores capitalizados seguram o produto à espera de cotações mais altas. Mesmo com safra nova, a saca subiu de R$ 33 para R$ 36 neste ano. O preço do feijão passou de R$ 80 para R$ 130 a saca. E o trigo subiu forte, de US$ 307 para US$ 338 a tonelada.

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