Governo prepara novo leilão de banda larga

Telefonia celular deve entrar agora na quarta geração

Gerusa Marques, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O Brasil deverá fazer, no início do próximo ano, uma nova licitação para a venda de licenças de banda larga. A previsão foi feita ontem pelo secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins. A expectativa da Associação GSM, que congrega fornecedores e empresas de telefonia celular, é de que o mercado brasileiro de banda larga móvel dobre de tamanho até o fim do ano e provavelmente quadruplique até o fim de 2010."É necessário fazer uma nova licitação para a expansão da banda larga no País", disse o secretário, ao participar do seminário LTE Tecnologia e Mercado, que discutiu a quarta geração da telefonia celular, ainda não disponível no mercado brasileiro. A quarta geração aumenta a velocidade e a capacidade de conexão à internet. Hoje, a banda larga móvel no Brasil tem velocidade média de 1 megabit por segundo (Mbps), enquanto a quarta geração pode chegar a 50 Mbps já no início da operação.O secretário evitou relacionar a licitação a alguma tecnologia específica, já que estão na disputa pelo mercado a LTE, defendida pelas empresas de telefonia celular, e a WiMax, que conta com o apoio das operadoras de TV por assinatura via micro-ondas terrestres (MMDS).Martins disse que o principal objetivo do governo é massificar a banda larga no País. Para atender à zona rural, o Ministério já determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promova uma licitação ainda neste ano, usando a faixa de frequência de 450 megahertz (MHz). A licitação do próximo ano seria para ampliar a capacidade da banda larga móvel nas áreas urbanas, especialmente nos grandes centros."Hoje, está claríssima a necessidade de incrementar a oferta de banda larga no Brasil. As pessoas estão cada vez mais consumindo esse tipo de serviço. Mas não temos preferência por tecnologia", disse Martins.O vice-presidente de Políticas Públicas da Associação GSM, Ricardo Tavares, explicou que novas licenças são necessárias, porque as operadoras de telefonia celular devem chegar, no fim do próximo ano, ao limite máximo de capacidade com as atuais redes. "Precisamos de mais banda (frequências) para acomodar mais usuários e ampliar a capacidade", afirmou.A terceira geração da telefonia celular (3G), segundo Tavares, alcançou hoje no Brasil 6 milhões de clientes, sendo que, desse total, 3 milhões são de modems para conexão à internet em banda larga móvel. A expectativa, segundo ele, é de alcançar, até o fim do ano, 12 milhões de clientes, e manter o ritmo de crescimento em 2010."A LTE vai ter uma adoção rápida no Brasil, nossa economia está bem e há uma forte demanda por banda larga", disse Tavares, assegurando que a tecnologia está pronta para ser implantada no País tão logo seja feita a licitação. Tecnicamente, a operação da quarta geração pode começar de seis a nove meses depois da concessão da licença. A LTE já foi adotada na Suécia, Noruega e Hong Kong e sua implantação vem sendo planejada por outros 13 países.

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