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Governo prevê forte alta de investimento

Secretário do Tesouro diz que taxa de expansão deve superar os 10%; no acumulado dos quatro primeiros meses, aumento foi de 5%

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Os investimentos do governo federal vão aumentar mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. "Até o fim do ano, vamos ter crescimento forte", prometeu. Ele disse que a taxa de expansão poderá superar o previsto, que é 10%. Os números registrados até o momento, porém, permitem concluir que o governo investe muito ou que investe pouco, dependendo do ângulo que se olhe.

De janeiro a abril, os investimentos somaram R$ 13,4 bilhões. É um crescimento de 5% em comparação com igual período de 2010. De janeiro a março, porém, os investimentos estavam 9% acima de 2010. De janeiro a fevereiro, a diferença era de 25%. No mês de janeiro, isoladamente, os investimentos de 2011 foram 85% superiores aos de 2010. Os números mostram, portanto, uma perda de fôlego.

Augustin garantiu, porém, que essa não é uma tendência. "Isso vai se reverter, tenho absoluta tranquilidade", disse. Ele explicou que, no início de 2010, o governo liberou mais dinheiro para investimentos em Estados e municípios por causa do calendário eleitoral. Isso inflou a base de comparação, o que resulta em taxas menores de crescimento este ano.

O investimento parece baixo também quando se olha a execução do Orçamento de 2011. Os recursos previstos para os ministérios este ano praticamente não foram aplicados. Isso porque a maior parte do que vem sendo gasto até agora são restos a pagar de despesas contratadas em anos anteriores.

Dos R$ 13,381 bilhões em pagamentos referentes a investimentos realizados pelo governo central até abril deste ano, apenas R$ 685,808 milhões se referem a despesas do Orçamento deste ano. Os demais R$ 12,695 bilhões são restos a pagar. Esse movimento é considerado normal pelo secretário. "Todo ano é assim", comentou.

PAC. A concentração de gastos em restos a pagar vem sendo objeto de críticas ao governo, mas o economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, as considera exageradas. "Os restos a pagar terminam uma ponte iniciada o ano anterior. O Orçamento inicia uma ponte este ano. Quando precisa segurar, segura o quê?"

Em meio à contenção de gastos, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) esbanja vigor. De janeiro a abril, foram gastos R$ 7,559 bilhões, um crescimento de 39% sobre igual período em 2010. Os investimentos do PAC respondem por boa parte dos restos a pagar.

Desde o lançamento do programa, em 2007, os ministérios encarregados vêm fazendo empenhos (comprometendo recursos do Orçamento) mesmo no fim do ano, sabendo que a despesa passará para o ano seguinte.

É uma forma de garantir que os projetos não percam velocidade.

Segundo Augustin, os investimentos fora do PAC sofreram maior restrição no início do ano. Agora, eles tendem a crescer mais fortemente. / COLABORARAM RENATA VERÍSSIMO E EDUARDO RODRIGUES

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