Governo prevê mais 12 usinas nucleares, informa ministro

Apesar de indefinições nas obras de Angra 3 - construtoras alegam que pagamentos estão atrasados - , Eduardo Braga diz que ideia é chegar a 2050 com 15 usinas

Antonio Pita , O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2015 | 02h04

RIO - Mesmo sem uma definição sobre o término das obras de Angra 3, o governo federal já planeja a implantação de outras 12 novas usinas termonucleares no País até 2050. Segundo o ministro de Minas e Energia (MME), Eduardo Braga, estão previstas quatro novas unidades até 2030, já incluídas no Programa de Investimento em Energia Elétrica, anunciado na terça-feira. Outras oito unidades estão no radar do governo para construção até 2050, também segundo o ministro.

O planejamento foi divulgado por Braga em palestra para uma plateia de militares na Escola Naval de Guerra, no Rio. Segundo o ministro, o governo ainda estuda os locais para instalação das usinas, mas elas devem se concentrar próximas ao "centro de carga", onde há maior demanda por energia, no Sudeste. Braga afirmou também que cada usina teria uma geração estimada em 1,4 mil MW, como Angra 3, orçada em R$ 14 bilhões e em obras desde a década de 1980.

No caso de Angra 3, as construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Techint anunciaram que deixariam as obras, alegando atraso nos pagamentos. Braga disse, entretanto, que até houve atrasos, mas que a solução já estava encaminhada. Segundo o ministro, o financiamento questionado pelas empresas, no valor de R$ 3,5 bilhões, já foi liberado pela Caixa e, agora, o ministério finaliza o estudo de um aditivo sobre o escopo do contrato de financiamento - o que teria gerado o atraso criticado pelas empreiteiras.

"Parece estranho o argumento de inadimplência. Tudo o que todo credor quer é receber. No momento que temos tudo pronto para pagar, eles rompem o contrato? Será que é essa efetivamente a questão? Temos de entender", disse.

O ministro defendeu a importância estratégica das usinas nucleares para o desenvolvimento da indústria com outros fins, como a medicina. Mas ressaltou que há "desafios" para a construção das unidades, em função do atual modelo legal brasileiro, que impede a participação da iniciativa privada na operação das usinas. Braga não descarta uma mudança na Constituição, para permitir a participação de sócios privados e estrangeiros.

"O que é estratégico no nuclear é o combustível e a operação da usina, não a construção. Vamos superar esses desafios e vamos mudar o modelo das nucleares. Está comprovado que esse modelo de obra pública não dá certo", disse.

 

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