Governo prevê País entre as 10 maiores reservas de petróleo

Estimativa é de que as reservas brasileiras vão crescer de 14 bilhões para 85 bilhões de barris

Ribamar Oliveira, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

Circula nos principais gabinetes do governo uma avaliação de que o petróleo na área do pré-sal, na plataforma continental que vai do sul do Espírito Santo ao norte de Santa Catarina, colocará o Brasil entre os dez maiores detentores de reservas do mundo. Por essas estimativas, as reservas brasileiras, hoje de apenas 14 bilhões de barris de petróleo equivalente (óleo mais gás), poderão chegar a 85 bilhões. A área do pré-sal teria de 50 bilhões a 70 bilhões de barris.Essa avaliação foi feita no governo após as descobertas dos megacampos de Tupi, de Júpiter e de Carioca/Pão de Açúcar, todos na Bacia de Santos (este último em fase de testes). Os indícios obtidos pela Petrobrás foram repassados à Presidência da República e serviram de base para a projeção. O principal argumento é que os poços furados pela Petrobrás tiveram resultado positivo.A verdadeira dimensão das reservas ainda será objeto de pesquisas que poderão durar vários anos. Mesmo porque, advertem as fontes, boa parte da área não foi licitada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Assim que o megacampo de Tupi teve as reservas dimensionadas, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) excluiu 41 blocos da 9ª rodada da ANP.A crítica no governo ao diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, é de que ele deu curso a avaliações preliminares, baseadas em indícios e suposições. Além disso, não respeitou formalidades legais para anúncios dessa natureza, em relação aos direitos dos acionistas das empresas envolvidas.A perspectiva de uma grande reserva de petróleo na área do pré-sal abriu duas discussões no governo. A primeira é saber se a Lei do Petróleo é suficiente para a nova realidade. A maioria dos governistas quer alterar o marco regulatório do petróleo para que a União se aproprie de maior parcela da receita a ser obtida pelas empresas na área. A segunda discussão é sobre o que fazer com essa riqueza. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por exemplo, quer destinar parte dos recursos a um programa de renda mínima. Seu colega Aloizio Mercadante (PT-SP) defende projetos que criem emprego.

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