Governo prevê que preços agrícolas seguirão elevados em 2008

Valores "estão em um novo patamar mundial", após os aumentos em dólar, entre 20% e 40%, no ano passado

Gustavo Porto, da Agência Estado,

08 de janeiro de 2008 | 12h16

O preço dos alimentos deve continuar em alta em 2008. A previsão é do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Segundo ele, no atacado, os preços agrícolas "estão em um novo patamar mundial", após os aumentos em dólar, entre 20% e 40%, no ano passado. O ministro sustentou sua previsão de preços firmes para as commodities (produtos com preços definidos no exterior, como os agrícolas) no crescimento econômico dos países em desenvolvimento, no uso de matérias-primas agrícolas para a produção de combustíveis, no aumento da expectativa de vida das pessoas e ainda na redução da oferta em decorrência das questões climáticas.   Veja também:   Conab: safra de grãos de 2008 pode ser recorde IGP-DI sobe 7,89% em 2007, mais que o dobro de 2006 Procon: cesta básica do paulistano subiu 20% em 2007"Na safra passada, houve um aumento da demanda e dos preços para soja, milho, trigo, leite e derivados, além de carne e sucos. Como a demanda segue aquecida e não há um sinal de mudança na produção, o mercado segue em crescimento", disse o ministro. "Se não houver uma recessão econômica, o cenário é esse", completou Stephanes durante a cerimônia de anúncio da quarta estimativa de produção da safra brasileira de grãos, na manhã desta terça-feira, em Brasília (DF).O ministro observou, ainda, que o principal ponto de sustentação de preços do mercado de grãos é a redução na oferta com a aplicação na produção de etanol, principalmente de milho nos Estados Unidos. "Só no mercado norte-americano foram retiradas 80 milhões de toneladas de milho para a produção de energia. Isso era inimaginável há três anos", avaliou Stephanes.CPMFStephanes reafirmou que irá fazer cortes nas despesas do ministério para readequar o orçamento às perdas com o fim da CPMF, de R$ 40 bilhões. Disse, no entanto, que a Embrapa e a Defesa Sanitária serão preservadas. Sobre a cobrança de taxa de 0,38% nos novos empréstimos feitos pelos produtores, determinada por decreto na semana passada, o ministro afirmou que "os agricultores praticamente ficarão na mesma situação, pois eles efetivamente deixaram de ganhar, como outros setores, com a queda da CPMF", concluiu.

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