Governo prevê retomada do crescimento no final de 2003

O Ministério da Fazenda prevê a retomada do crescimento da economia brasileira a partir do último trimestre de 2003. Segundo o boletim de julho de Conjuntura Econômica preparado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o ambiente favorável para a reativação do crescimento está sendo criado com a estabilização dos preços, a recomposição das captações externas privadas e a melhora das condições de rolagem da dívida interna e dos indicadores externos. "Esses fatores criam um ambiente favorável à ampliação da absorção doméstica que, em conjunto com a manutenção das exportações, permitirão reativar o crescimento econômico a partir do último trimestre de 2003", afirma o documento.Na avaliação dos técnicos da SPE, a desaceleração recente da atividade industrial é resultado do quadro econômico do ano passado, com a combinação de aumento da taxa de inflação, escassez de recursos externos, dificuldade de rolagem da dívida interna e a queda de 1,5% da absorção doméstica no quarto trimestre de 2002 em relação ao mesmo período de 2001.O boletim destaca ainda que está aberto o espaço para recuperação da demanda do setores da economia voltados para o mercado doméstico. Segundo o documento, as boas perspectivas dos setores voltados à exportação são derivadas da recuperação da economia argentina, do aumento da safra agrícola e da estratégia de vendas para novos mercados, o que "compensa, parcialmente, o baixo dinamismo da absorção doméstica", diz o documento. Juros altos e impacto na economiaO documento da SPE destaca ainda que o ajuste macroeconômico realizado pelo governo para enfrentar o quadro de crise teve como efeito secundário o declínio na taxa de crescimento da produção industrial. "O desempenho da indústria reflete a política monetária voltada para o combate da alta nos níveis de inflação iniciada nos últimos meses de 2002", ressalta o Boletim. Segundo a análise da SPE, o desempenho da indústria não tem sido uniforme entre todos os setores, dependendo das suas diferentes características individuais, como o destino da produção (para o mercado externo ou interno) e sua menor ou maior dependência em relação à renda ou ao crédito. Os técnicos da SPE dão destaque ao fato de que os setores mais voltados ao mercado externo, tanto diretamente (como o de couros, peles e extração mineral) quanto indiretamente (bens de capital para a agricultura), apresentaram crescimento. Por outro lado, setores voltados ao mercado doméstico, como o farmacêutico e de eletrodoméstico, registraram taxas negativas de crescimento, "principalmente no caso daqueles cuja a demanda pode ser explicada pelo crédito".

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