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Governo procura substituto para presidente da Embrapa

No cargo desde outubro passado, Sebastião Barbosa deverá ser trocado por profissional com um perfil mais aberto ao mercado

Coluna do Broad Agro, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2019 | 05h00

O Ministério da Agricultura decidiu substituir o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sebastião Barbosa. No cargo desde outubro passado, ele foi escolhido no mandato do então ministro Blairo Maggi para substituir Maurício Lopes. Agora, a ideia é buscar um profissional com um perfil mais aberto ao mercado e até mesmo um representante do setor privado que não seja funcionário da Embrapa. Barbosa é pesquisador aposentado da unidade de algodão da empresa. A troca deve ocorrer em breve, sem processo de seleção interna. Na escolha do atual presidente participaram 16 concorrentes e três finalistas foram avaliados pelo Conselho de Administração da Embrapa. Sem o “vestibular”, a própria ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciaria o indicado ou a indicada. O Ministério informa que não se pronunciará sobre o assunto.

De olho

O Banco do Brasil vai oferecer a produtores contratos de opções de compra ou venda para soja, milho, boi e café em todas as agências do País a partir deste mês. O banco também lançará alternativas de seguro rural para pecuária e arroz. O vice-presidente de agronegócio do BB, Ivandré Montiel, explica que, enquanto o seguro atenua o risco climático, o mercado de opções ajuda a aplacar o risco de preço. “O produtor consegue mitigar as duas principais variáveis que podem fazer com que perca rentabilidade”, afirma ele. 

Tratamento VIP

Atento à concorrência dos bancos privados, o BB quer abrir até o fim do ano espaços específicos para atendimento ao setor em 100 de suas agências. “O agronegócio é pujante; é natural que haja interesse dos bancos”, justifica Montiel. Em 2019, o BB já assessorou clientes na emissão de R$ 150 milhões em Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) e espera novas operações em grãos, energia e fibras.

Bendito título

A captação de recursos por meio da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) está permitindo ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) ampliar os desembolsos para o setor. Entre janeiro e maio, a instituição liberou R$ 198,5 milhões, 33% mais que em igual época de 2018. O dinheiro proveniente de LCAs cresceu proporcionalmente, ou 36% mais na comparação anual, para R$ 65,5 milhões.

Novos rumos

O BDMG pretende reforçar o atendimento a setores tradicionais da economia mineira, caso do agronegócio, ao mesmo tempo em que abraça novas demandas, como linhas para inovação e sustentabilidade a vários setores, conta Sérgio Gusmão Suchodolski, diretor-presidente do banco. A carteira agro do BDMG cresce: em 2018, foram R$ 554 milhões, alta de 31,5% ante 2017.

Manobra

Representantes do agronegócio estão com um pé atrás em relação à tentativa da bancada ruralista de pregar o discurso único pela inclusão, na Medida Provisória 864, de um marco temporal para reduzir a necessidade de recomposição de áreas de reserva legal em propriedades rurais. A mesma proposta foi incluída na MP 867, também sobre mudanças no Código Florestal, aprovada na Câmara, mas que caducou antes de ser votada no Senado.

Sem consenso

Na terça-feira, em reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a pressão sobre o discurso alinhado foi grande, com apoio do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, presente ao encontro. No entanto, uma ala do agronegócio receia que o afrouxamento da legislação ambiental gere represálias de clientes, com o fechamento de mercados ou imposição de restrições comerciais. “Se o próprio Ministério do Meio Ambiente apoia isso, não há sequer um contrapeso no governo”, diz um dos descontentes.

Plano B

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está difundindo o modelo dos “condomínios de armazenagem” para federações de agricultura do País. Com ele, produtores dividem os custos de instalação e manutenção de silos. Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, diz que os condomínios estão concentrados no Sul, especialmente no Paraná, mas poderiam servir para Estados com grande déficit de capacidade, no Centro-Oeste e Nordeste.

Autonomia

Produtores que já usam os condomínios podem vender o produto em momentos de preços mais altos. Sindicatos rurais de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães (BA) ficaram interessados, conta Elisangela. Na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), falta estrutura para armazenar 11,2 milhões de toneladas, estima a CNA.  

É pop

As tecnologias digitais conquistaram o agronegócio brasileiro. A StartSe, empresa que apoia startups no Brasil, vai liderar em setembro mais duas missões de produtores, empresários, cooperativas e tradings ao Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, onde estão sediadas gigantes como Google e Facebook e centenas de startups. Outras duas missões foram feitas no primeiro semestre. Em 2018, 100 brasileiros visitaram o Vale do Silício com a StartSe.

 

*COLABOROU LETICIA PAKULSKI

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