Governo promete avaliar lista de pedidos dos agricultores

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse nesta quarta-feira que a criação de um grupo para avaliar a lista de pleitos apresentada pelos agricultores ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostra que o governo mantém aberto o canal de negociação. Com isso, segundo ele, o governo abre a possibilidade de ampliar o conjunto de medidas de apoio ao setor. Neste ano o governo anunciou três pacotes de apoio à agricultura, sendo que o último, na semana passada, prevê a liberação de R$ 60 bilhões para que agricultores familiares e empresariais cultivem a safra 2006/07. O ministro comentou também a negativa de Mantega de desonerar o óleo diesel. "A desoneração de tributos demanda estudos mais demorados, mas é um assunto que fica na pauta", afirmou.Mantega afirmou que técnicos da área econômica, do Ministério da Agricultura e do Banco do Brasil fazem um monitoramento diário para acompanhar a adoção das medidas anunciadas pelo governo na semana passada. "No pacote anterior, as medidas demoraram a ser implementadas." Na audiência desta quarta, ele se comprometeu a criar um grupo de trabalho que avaliará a nova lista de pedidos que foi apresentada pelos produtores. O ministro da Fazenda contestou as afirmações de parlamentares e de representantes dos agricultores de que a crise é resultado da política econômica adotada pelo governo federal. Segundo ele, em 2003 e 2004 a política atual já estava em vigor e não prejudicou a agricultura. DefesaMantega rebateu as críticas de que o Banco Central não fez nada para atenuar a situação de valorização do real frente ao dólar. Entretanto, ele destacou que não é favorável a um câmbio engessado. Para defender o BC, o ministro lembrou que, no final do ano passado, a autoridade monetária comprou mais de US$ 30 bilhões no mercado, que foram parar nas reservas internacionais brasileiras. Ele disse que as reservas estão crescendo por causa destas compras e que não há capital especulativo no Brasil como no passado. Mantega disse ainda que a estabilidade financeira alcançada pelo Brasil passou a atrair mais investidores externos, o que também aumentou o fluxo de capitais para o País. "E nestas condições é inevitável a valorização da moeda brasileira. O real se valorizou não por algum artifício ou alguma política do governo".Quando alguém presente ao plenário gritou "juros", o ministro reconheceu que as taxas de juros também influenciaram a valorização do real. "É claro que os juros também influenciaram. É verdade. Houve um pouco de arbitragem em relação aos juros", afirmou o ministro, ponderando, no entanto, que todos os países emergentes bem-sucedidos, com superávits comercias, tiveram sua moeda valorizada.

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