Reprodução
Reprodução

Governo propõe não reajustar o preço do diesel pelos próximos seis meses

Caminhoneiros em greve, no entanto, exigem uma redução no preço do combustível e decidem manter os bloqueios nas estradas

Nivaldo Souza, Victor Alves e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 20h43

BRASÍLIA - O governo empacotou as propostas apresentadas nesta quarta-feira aos líderes dos caminhoneiros em greve, mantendo a posição de não baixar o preço do diesel - principal reivindicação dos grevistas para reabrir as rodovias do País. O Palácio do Planalto se comprometeu apenas a não executar novos aumentos do diesel nos próximos seis meses. "Não haverá, é isso o que a Petrobrás nos disse, reajuste do preço do diesel nos próximos seis meses", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto.

O ministro reapresentou, de uma forma mais detalhada, as três propostas já sinalizadas na noite de nesta quarta-feira por ele. O anúncio foi feito depois de uma reunião tensa com os representantes dos caminhoneiros, iniciada as 11 horas desta quarta-feira. Conforme relatos obtido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, parte das lideranças se recusou a aceitar as propostas do governo para encerrar a greve sem a redução do preço do óleo combustíveis.

O líder do Comando Nacional dos Transportes, o caminhoneiro Ivar Schimidt, não foi autorizado a entrar na reunião. Ele veio então conversar com Rossetto no Planalto, onde o ministro voltou para conversar com a presidente Dilma Rousseff. "O ministro nem pegou na minha mão", disse.

Apesar da ausência do gesto, Rossetto afirmou que o pacote de medidas do governo irá "inaugurar um novo momento" no diálogo com os caminhoneiros. "Nós, durante todo o dia, estabelecemos um diálogo permanente com as lideranças dos movimentos dos caminhoneiros em vários Estados em um diálogo direto", disse.

O titular da Secretaria-Geral propôs uma carência de 12 meses no financiamento de caminhões nos programas Pró-Caminhoneiro e Finame. Rossetto não indicou se a medida valerá para dívidas já contratadas. "Atendemos portanto uma reivindicação importante", afirmou.

O governo também reafirmou que irá criar uma mesa de negociação entre empresários contratantes de transporte e os caminheiros para discutir uma tabela permanente de reajuste do frete. "Os empresários, os caminhoneiros e seus representantes irão estabelecer uma tabela referencial de frete", disse.

Schimidt considerou as medidas sem peso para debelar a greve. O caminheiro de Santa Catarina, radicado no Rio Grande do Norte, é um dos organizados do movimento. Ele e outros cem líderes articulam a manutenção da greve por meio de um grupo do WhatsApp. "Se o governo acha que medidas vão acabar com bloqueios, é só esperar para ver", sugere. "As medidas do governo não atendem o movimento. A paralisação continua", disse.

Reunião emergencial. Depois de uma reunião tensa em que os representantes dos caminhoneiros se recusaram a aceitar as propostas do governo para encerrar a greve que paralisa rodovias no País, os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, foram convocados pela presidente Dilma Rousseff para uma conversa. Na reunião de emergência no Planalto, o governo deve fechar com os três ministros uma nova proposta para tentar encerrar a greve dos caminhoneiros.

Mais conteúdo sobre:
caminhoneiros protestos rodovias

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.