Governo pune seis frigoríficos

Empresas estão proibidas de vender frango in natura por não cumprirem limite de 6% de água no produto

Fabíola Salvador, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O Ministério da Agricultura proibiu a comercialização de carne de frango in natura produzida por seis frigoríficos do País. A suspensão vale desde a última quarta-feira e foi estabelecida porque avaliações feitas por técnicos do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) constataram que os estabelecimentos não cumpriram o limite de 6% de água no produto. A decisão foi anunciada ontem, em Brasília, pelo secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz. Ele disse que as empresas, que foram interditadas e multadas em até R$ 25 mil, são reincidentes."Não foi um único caso, nem um único lote. Ninguém é marinheiro de primeira viagem", comentou. Entre as empresas punidas está a Eleva Alimentos, que foi comprada pela Perdigão no final de outubro.A Eleva informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que a empresa tem quatro unidades industriais de processamento de aves no País e que somente uma delas está sob o chamado regime especial, dependendo apenas das análises dos Serviços de Inspeção Federal (SIF) para que seja liberada a comercialização do produto no mercado interno."A comercialização de frangos para exportação e de cortes de frango e embutidos para o mercado interno prosseguem normalmente", informou a empresa. Na nota, a Eleva informa ainda que a revisão do plano para controle de adição de água foi apresentado em junho deste ano. O plano cumpre todas as exigências do ministério. Além da Eleva, a Rei Frango Abatedouro, de São Paulo; a Wiper Industrial de Alimentos, de Santa Catarina; a Anhambi Alimentos Oeste, do Mato Grosso; a Recanto do Sabiá Alimentos, de Minas Gerais; e a Avenorte Avícola Cianorte, do Paraná, estão proibidas de comercializar carne de frango in natura. Essas empresas só receberão nova autorização para vender depois que apresentarem ao Ministério da Agricultura um programa para corrigir as falhas no processo de produção, disse o secretário. Ele explicou que o processo de produção não foi interrompido, mas os lotes deverão ser estocados nos frigoríficos até que o governo determine o fim da suspensão.A adição de água ao frango é crime contra o consumidor, que compra um produto com peso inferior ao informado nas embalagens. O consumo do frango com níveis excessivos de água não representa risco para a saúde humana. Por isso, explicou o secretário, os lotes em que foi detectada a fraude puderam ser reaproveitados pelas empresas. O destino das cargas depende do que está estabelecido no Programa de Prevenção e Controle de Adição de Água aos Produtos, que é elaborado pelas empresas e aprovado pela Secretaria de Defesa Agropecuária. Entre os destinos dos lotes que apresentaram problemas estão o reaproveitamento no refeitório das empresas, industrialização (processo que elimina a água excedente) e a doação para programas sociais.Segundo o ministério, a água excedente no frango é resultado do descongelamento das carcaças e deve estar em quantidade máxima de 6% para não prejudicar o consumidor em relação ao peso do produto adquirido. Se uma empresa produz frango com 16% de água, por exemplo, o consumidor perde 100 gramas para cada quilo adquirido, explicaram técnicos do Dipoa. Kroetz não informou a quantidade de água encontrada nos lotes produzidos pelas empresas interditadas. "Cada vez mais, a responsabilidade e a inocuidade é de quem produz", afirmou.

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