Governo quer atenção com crise nos mercados, diz Mantega

Ministro da Fazenda afirma que País está vigilante e que agravamento do quadro financeiro já era esperado

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

16 de janeiro de 2008 | 11h32

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a equipe econômica ficasse "bastante vigilante" aos movimentos da economia internacional para, se for necessário, tomar medidas.     Veja também: Bovespa mantém queda, puxada por pessimismo nos EUA   Em sua primeira entrevista após retornar de um período de férias, que foi interrompido antecipadamente, Mantega assegurou que, por enquanto, não há necessidade de o governo tomar atitudes para enfrentar a crise nos mercados internacionais, agravada na terça com dados negativos sobre as vendas no varejo e inflação nos EUA, além de prejuízos no setor financeiro.   Mantega avaliou que o Brasil está muito bem posicionado para enfrentar essa piora do quadro, tanto do lado dos fundamentos econômicos, quanto do mercado interno, que podem compensar eventuais perdas que os exportadores brasileiros venham ter. Ele não quis antecipar, no entanto, que tipo de medidas o Brasil poderia tomar. Mantega alertou, porém, que o momento é de atenção. "Devemos estar vigilantes", afirmou.   O ministro disse que a crise do mercado se agravou, o que já era, em parte, esperado por conta da divulgação dos balanços de grandes instituições financeiras norte-americanas. Ele destacou que, nos próximos dias, outros balanços serão divulgados. E, então, será possível avaliar melhor "qual é o tamanho do buraco".   Ele afirmou que, até agora, não houve nenhuma repercussão desse quadro no Brasil. Mas disse que, se houver, será pequena. Mantega afirmou que mantém o otimismo e previu que o Brasil terá um crescimento robusto em 2008, em torno de 5%. Ele disse que ainda não é possível avaliar se a desaceleração da economia norte-americana configura uma recessão.   Commodities   Mantega afirmou, porém, que "a interrogação" sobre a atual desaceleração da economia dos Estados Unidos é até que ponto ela afetará o mercado internacional de commodities. Se esse mercado for afetado, isso terá, segundo o ministro, repercussões na economia brasileira.   Por enquanto, disse, não há repercussões no mercado de commodities, porque são as grandes economias emergentes que estão puxando o consumo. "Portanto, os preços (das commodities) continuam altos", afirmou o ministro. Na avaliação dele, se houver uma desaceleração da economia internacional, ou uma recessão nos Estados Unidos, isso poderá ter "alguma" conseqüência no Brasil, mas ela será "pequena".   Férias   O ministro explicou ainda que antecipou seu retorno das férias - que terminariam na próxima Segunda-feira - porque Lula decidiu cancelar o período de descanso que planejara e continuar trabalhando. Duas razões específicas para o ministro retomar o trabalho mais cedo, segundo sua assessoria de imprensa, estão previstas para a próxima semana: a divulgação de um balanço da execução dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a reunião ministerial.   O ministro, segundo assessores, teria pouco tempo para se preparar para esses dois eventos. Mantega disse que vai compensar no carnaval os dias que não ficou de férias. À primeira pergunta sobre o motivo da antecipação da volta ao trabalho, Mantega respondeu brincando aos jornalistas: "Não agüentei de saudade de vocês."

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