Governo quer criar sindicato de bancos para financiar as concessões

Modelo deve ser apresentado em duas semanas e pode valer já para o leilão de rodovias em setembro

Economia & Negócios,

27 de agosto de 2013 | 15h17

Atualizado às 19h50

SÃO PAULO - O governo propôs aos bancos privados e públicos que formem um sindicato para financiar as concessões de infraestrutura, modelo que deverá ser formatado em duas semanas, ao mesmo tempo em que deixou claro que assumirá parte dos riscos desses projetos.

Para isso, afirmou nesta terça-feira o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antonio Henrique Silveira, o governo está criando o Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE), com recursos de R$ 11 bilhões e ligado à Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e de Garantias (ABGF), para mitigar parte dos riscos das concessões.

"Os bancos financiarão projetos na forma de sindicatos", afirmou ele. "Não existe discussão sobre o governo eliminar todos os riscos", afirmou o secretário a jornalistas, após participar de reunião com executivos de diversos bancos e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Silveira disse que a estrutura que está sendo desenhada para a formatação do sindicato de bancos poderá valer já para o leilão de rodovias em setembro. Deverão ser colocados à venda 9 lotes rodoviários.

O secretário enfatizou que o fundo nada tem a ver com "risco zero". Fez a afirmação em reposta à reportagem desta terça do jornal Folha de S. Paulo, dizendo que o Ministério da Fazenda ofereceria como contrapartida a possibilidade de o governo assumir pagamentos de financiamentos em projetos de infraestrutura. "A matéria da 'Folha' me pegou de surpresa, porque no mercado não existe essa história de risco zero."

Silveira, que também é presidente do Conselho de Administração da Caixa, confirmou que Mantega determinou à Caixa que busque mais financiamentos em infraestrutura e crédito para médias empresas. O secretário declarou também que há interesse dos bancos privados no programa de concessão de infraestrutura, tanto que alguns estão criando fundos de equity.

O governo está na reta final de negociação da forma de financiamento das concessões, que somam investimentos de R$ 470 bilhões. Além das rodovias, também estão previstas concessões de ferrovias, portos e aeroportos.

Apoio. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, disse em nota que as instituições vão trabalhar para estruturar um consórcio de bancos públicos e privados. "O País precisa se modernizar, se tornar mais eficiente e competitivo, para poder crescer."

De acordo com Trabuco, as concessões são uma oportunidade para o Brasil se diferenciar. Ele acrescentou ainda que o País, comparado com o bloco dos países emergentes, tem taxa de risco e de retorno dos mais adequados. "Num momento como esse, as concessões têm tudo para dar certo, pois o Brasil tem escala, mercado interno forte, emprego, e isso o torna atraente para os investidores globais."

Inseguranças. No entanto, o presidente do Bradesco destacou que é um desafio exigir esforço e união de todos, dado que o processo de concessão, pelo seu tamanho, envolve valores superlativos. A questão dos riscos, na sua opinião, também merece uma abordagem cuidadosa, para evitar insegurança às partes.

"Será um projeto que vai exigir, principalmente, espírito elevado dos participantes, para que as negociações sejam aquelas que representem um bom resultado do ponto de vista do governo, dos investidores, dos empresários, dos usuários dos serviços, dos trabalhadores e dos agentes de financiamento públicos e privados", declarou no comunicado.

Além de Trabuco, Mantega recebeu os presidentes do Itaú Unibanco, Roberto Setubal; BTG Pactual, André Esteves; do Santander Brasil, Jesús Zabalza, Bank of America Merrill Lynch no Brasil, Alexandre Bettamio, os vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, Marcos Vasconcelos; do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli; e do BNDES, Wagner Bittencourt. Na pauta, estava o apetite dos bancos nos financiamentos das concessões.

(Agência Estado e Reuters)

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