Governo quer deixar "colchão" para novo presidente

A atual equipe de governo quer garantir que o futuro presidente da República receba o caixa do Tesouro Nacional com dinheiro suficiente para fazer frente aos três primeiros meses de vencimento da dívida pública. Ela poderá ser paga de janeiro a março, mesmo se o mercado se mostrar completamente adverso e o Tesouro não conseguir captar nem um centavo no mercado nesse período. "Eventuais discussões sobre capacidade de pagamento são fora de contexto", afirmou hoje o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg.Ele explicou que a meta é entregar o caixa com um "colchão" de recursos de pelo menos R$ 26 bilhões. Esse é exatamente o valor de títulos que vencem no primeiro trimestrede 2003.Sardenberg esclareceu, porém, que o "colchão" de R$ 26 bilhões é uma hipótese pessimista, que não deve se concretizar. Hoje, a disponibilidade de caixa do Tesouro para pagar a dívida é de R$ 60 bilhões. Até o final do ano, devem ingressar mais R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, sem contar com novas emissões detítulos. Serão recursos gerados pelo superávit primário do Tesouro, pelo recebimento de parcelas das dívidas dos Estados emunicípios e da remuneração que o Banco Central paga ao Tesouro, referente ao saldo da conta única."Teremos entre R$ 75 bilhões e R$ 80 bilhões seguros", comentou o secretário. Esse "colchão" será gasto para pagar R$77,7 bilhões em dívida que vencem entre outubro e dezembro. Mas a totalidade dos recursos só será gasta na hipótese extrema de o Tesouro não conseguir mais vender nenhum título no mercado neste ano. "Isso não vai acontecer, portanto tudo o que vendermosserá ingresso líquido para o colchão", disse Sardenberg."Do ponto de vista de gerenciamento de curto prazo, estamos muito confortáveis." O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guardia, ressaltou que o mercado de títulos está voltando à normalidade após as turbulências geradas pelas mudanças nas regras de funcionamento dos fundos de investimento. A volta das aplicações está fazendo retornar, aos poucos, a procura por títulos do Tesouro.Na semana passada o Tesouro voltou a emitir papéis com vencimento em 2003, que não vinham tendo aceitação pelomercado.Hoje conseguiu vender papéis com vencimento em 2005. Nasua avaliação, esses são sinais de retorno à normalidade nomercado de títulos. "No curto prazo, enfrentamos um contextointernacional adverso, mais as incertezas do processo político eo problema nos mercados de fundos", disse. "A questão dosfundos está superada, as incertezas políticas foram reduzidascom os compromissos dos candidatos; passamos por um momento de turbulência, mas chegaremos ao fim do processo em uma situação confortável."

Agencia Estado,

19 de setembro de 2002 | 21h04

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