Leopoldo Silva/Agência Senado
Leopoldo Silva/Agência Senado

Governo quer derrubar mudanças na MP da crise hídrica, diz secretário da Economia

Para Diogo Mac Cord, relatório é uma quebra de acordo com o governo de Jair Bolsonaro

Eduardo Rodrigues, Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 20h43

BRASÍLIA - O secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, atacou duramente o relatório do deputado Adolfo Viana (PSDB-BA) para MP da Crise Hídrica. Mac Cord considerou o texto uma “quebra de acordo” com o governo Jair Bolsonaro, que deverá trabalhar para derrubar as mudanças.

O relatório prevê o repasse do custo de construção de novos gasodutos para as contas de luz, a um custo estimado em R$ 33 bilhões pela Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

O secretário lembra que a MP da Eletrobras colocou como preço máximo para essa energia de reserva o valor do leilão A-6 de 2019 para térmicas a gás. “Estava muito claro na MP da Eletrobras  que preço teto era do leilão A-6. Se não fosse coberto por esse valor, não teria térmica. Não existe a menor possibilidade de apoiar esse tipo de dispositivo. Não é justo passar para consumidores se o preço for maior”, atacou Mac Cord.

O secretário da Economia lembra que energia elétrica e gás natural são combustíveis concorrentes no mundo todo e afirma que o consumidor de eletricidade não deve subsidiar os preços para o consumidor de gás.

“É inacreditável o esforço de alguns agentes para tentar fazer o consumidor de energia pagar pela infraestrutura do gás. É como colocar um sobrepreço no frango para subsidiar a carne”, comparou. “Sou defensor das usinas térmicas, que são importantíssimas para a segurança do sistema, mas elas têm que ter um preço viável. Se conseguirmos fazer térmicas em locais ermos por um preço razoável, ótimo, caso contrário elas têm que ser feitas em locais que já têm gás.”

O relator também incluiu no parecer uma nova prorrogação do subsídio ao carvão mineral usado em usinas térmicas, previsto para acabar em 2027. A tentativa de estender o benefício – também bancado pelos consumidores nas contas de luz – até 2035 foi considerada “insana” pelo secretário do Ministério da Economia, ainda mais nas vésperas da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática, a COP 26.

“O correto é taxar o carbono. Se o carvão é barato, você cobra uma taxa pelas emissões. Se mesmo com essa penalidade, o carvão for competitivo, maravilha. Precisamos ter uma matriz elétrica diversificada, mas não a qualquer custo. O setor elétrico não pode ser fonte infinita de recursos para endereçar problemas de outros setores. Os municípios produtores deveriam ter aproveitado os recursos do carvão há muito tempo para se renovar”, disse Mac Cord.

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