Governo quer dividir responsabilidade com candidatos da oposição

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, atribuiu a atual situação de turbulência no mercado financeiro à "falta de clareza" dos programas dos candidatos de oposição à presidência da República. Segundo ele, o governo está adotando as medidas necessárias para acalmar o mercado, mas é importante que os candidatos também "assumam suas responsabilidades". "O mercado está mais de olho nas pesquisas eleitorais que nos fundamentos da economia", disse o ministro. Ele voltou a dizer que toda vez que o candidato do governo, senador José Serra, cai nas pesquisas, as bolsas despencam e o dólar sobe. Para Amaral, é preciso haver uma "responsabilidade compartilhada" entre o governo e os candidatos à presidência. No entender dele, a alta do dólar não se justifica porque os fundamentaos da economia "são bons".Ele destacou as incertezas que rondam os mercados internacionais, principalmente o norte-americano, lembrando que, recentemente, os Estados Unidos sofreram uma perda de ativos de cerca de R$ 7 trilhões em função dessas incertezas.O´Neill e fast trackEm relação às declarações do secretário do Tesouro norte-americano Paul O´Neill, que colocou sob suspeita o destino de recursos liberados pelo FMI a Brasil, Argentina e Uruguai, Amaral disse apenas que todas as providências estão sendo adotadas pelo Itamaraty, "mas certamente este tipo de declaração não ajuda".O ministro afirmou que o fast track, aprovado pela Câmara de Representantes dos EUA, é um sinal positivo, "mas ainda é pouco para dizer se significa a reversão dos sinais protecionistas dos Estados Unidos." Segundo ele, a autorização aprovada não permite saber ainda se os EUA querem ou não colocar na mesa de negociações as principais questões protecionistas, como as do setor agrícola e de têxteis.Amaral lembrou que mudanças na política comercial no setor têxtil exigem a aprovação de cinco comitês diferentes no Congresso dos EUA, "o que mostra a complexidade que terá a negociação". O ministro previu que a negociação para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) será "dura" e disse que o Brasil está se preparando para essa negociação.Segundo ele, o fast track introduz o mecanismo de reciprocidade de concessões no mesmo setor. Isso significa que para cada barreira retirada pelos Estados Unidos, os demais membros da Alca também deverão fazer concessões. Amaral alertou que o Brasil seguirá essa mesma linha, só abrindo seu mercado em troca de concessões. "As negociações serão duras, e isso confirma a estratégia que estamos seguindo de buscar cada vez mais mercados alternativos", afirmou o ministro.Ele relatou que voltou animado da reunião de que participou em Guayaquil, na semana passada, na qual os governos dos países do Mercosul e do Grupo Andino manifestaram a intenção de concluir um acordo de livre comércio entre os dois blocos ainda neste ano.

Agencia Estado,

29 de julho de 2002 | 18h34

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