Governo quer estimular a venda de caminhões

Miguel Jorge defende ideia, ainda sem programa definido

Michelly Chaves Teixeira, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

O governo está estudando formas de estimular o mercado de caminhões. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, há três meses o poder público discute alternativas para incentivar o setor, embora as conversas ainda não tenham evoluído para uma solução. "Reconhecemos que temos de ser rápidos para encontrar uma solução, mas é melhor fazer as coisas direito do que de maneira errada", afirmou ontem o ministro a jornalistas. Segundo ele, estão na mesa de negociações os ministérios de Desenvolvimento, Fazenda, Trabalho e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro também disse estar conversando com sindicalistas. O mercado de caminhões vem sofrendo com a desaceleração econômica no País e com o encolhimento do mercado externo, já que, com a crise, vários países suspenderam suas compras. A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que aumentou as vendas de automóveis, não surtiu efeito no segmento. Segundo o ministro, no caso de caminhões o IPI de 5% acabava diluído, já que a compra desses veículos, geralmente por empresas, é financiada via bancos de fomento e ainda tem prazo de carência. As vendas internas de caminhões caíram quase 23% em maio, em relação a igual período do ano passado, para 7.645 unidades. No acumulado do ano, recuaram perto de 20%, para 37.580 unidades, conforme dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Já as exportações caíram 73,3% ante maio de 2008, para 862 caminhões, e 67,4% entre janeiro e maio, totalizando 4.931 unidades embarcadas. O governo ainda não tem o formato do programa, mas o ministro disse que uma das possibilidades é "permitir que o autônomo, responsável por grande parte da frota, possa fazer a troca de caminhões". A ideia não seria renovar a frota, já que se trata de um bem caro, e sim facilitar a troca por veículos mais novos. Segundo Miguel Jorge, conceder benefícios aos autônomos não é uma questão fácil de resolver, já que há varias questões legais envolvidas. "Em vários casos, a Justiça não aceita o caminhão como garantia de crédito, por exemplo, já que se trata do ganha-pão do autônomo." No evento de criação do GT (grupo de trabalho) Automotivo, no qual governo, trabalhadores e indústria buscam recolocar a região do ABC em posição de destaque no setor, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, concordou que é muito difícil renovar a frota de caminhões. Segundo ele, o sindicato vai propor ao governo incentivos para a troca de peças e motores desses veículos, como forma de incentivar o mercado. Na opinião do ex-ministro do Trabalho e atual prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, governo, empresariado e trabalhadores devem pensar em alternativas para estimular as exportações de veículos, que caíram 50,8% entre janeiro e maio, ante igual período de 2008, para US$ 2,76 bilhões. O declínio das vendas externas acabou provocando uma queda de 14,2% da produção brasileira de veículos no mesmo período, para 1,19 milhão de unidades, segundo dados da Anfavea. O que segurou o desempenho das vendas foi o mercado interno, que absorveu 1,15 milhão de unidades entre janeiro e maio, com discreta baixa de 0,1%.

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