Governo quer evitar alta de 6,5% na tabela do IR

Pressionado pelo descompasso entre gastos e receitas, o governo vai tentar evitar que seja mantido no texto da Medida Provisória 656 o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. A MP foi aprovada ontem pela Câmara dos Deputados e horas depois em votação simbólica no Senado. Agora, o texto segue para a sanção presidencial.

TÂNIA MONTEIRO , O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2014 | 02h00

O Planalto admitia uma correção de apenas 4,5%, centro da meta de inflação. A emenda dos 6,5%, teto da meta, foi incluída na MP que, entre outros temas, prorroga incentivos tributários a alguns setores e cria as Letras Imobiliárias Garantidas (LIG).

Ontem, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, em entrevista, deixou clara a insatisfação do governo com a alteração do texto. "Evidentemente que essa não era posição do governo", desabafou Berzoini, sem querer dizer o que o Planalto vai fazer para evitar o reajuste da tabela em 6,5%.

O governo não vê possibilidade em digerir o reajuste. E admite que o desgaste de um eventual veto, apesar de impopular, transmitiria ao mercado uma mensagem de credibilidade.

Há consenso entre assessores da presidente Dilma Rousseff que um reajuste de 6,5% é considerado muito alto, em um momento em que o governo está fazendo um esforço de aumentar a arrecadação e cortar despesas para facilitar o trabalho de ajuste das contas pela nova equipe econômica, a ser comandada por Joaquim Levy, na Fazenda, e Nelson Barbosa, no Planejamento.

No Congresso, circularam números para assustar os parlamentares da base governista. Segundo os dados, a diferença do aumento do reajuste da tabela do IR de 4,5% para 6,5% seria em torno de R$ 2,2 bilhões. Só com os 4,5% de correção, o desembolso do governo será de cerca de R$ 4,9 bilhões.

Além dos R$ 2,2 bilhões que o governo perderá na arrecadação, caso a tabela seja reajustada em 6,5%, há outro fator que está sendo levado em conta pelo Palácio para defender o reajuste de 4,5%. A medida, que atende o pleito da classe média, principalmente, levaria o carimbo do DEM, da oposição.

Lembrado que na mesma MP foi incluída ainda a proposta de construção de um novo aeroporto em São Paulo e questionado se o governo iria vetar a emenda, o ministro Berzoini declarou: "O governo se reserva o direito de apreciar isso somente quando for concluído o processo legislativo." / COLABORARAM ISADORA PERON e RICARDO DELLA COLETTA

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