Governo quer expansão do crédito abaixo de 30%, diz Mantega

Segundo ministro da Fazenda, crescimento neste patamar ajudaria o País a reduzir a alta da inflação

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

02 de julho de 2008 | 11h36

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, 2, que as medidas de restrição ao crédito, como o aumento das alíquotas do IOF e o compulsório sobre depósitos de leasing, têm como objetivo reduzir o ritmo de expansão dos empréstimos a um patamar inferior a 30% ao ano. "É para acelerar, mas em ritmo um pouco menor que 30% ao ano", disse o ministro em audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Ao comentar o desempenho recente do mercado de crédito, que chegou a crescer 32% em 12 meses, Mantega classificou a velocidade de aumento das operações como "um pouco excessiva". Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos   O ministro citou aos deputados que medidas de restrição ao crédito fazem parte das ações setoriais da equipe econômica para combater a inflação. Outra decisão é a liberalização de importações. Mantega citou como exemplo a análise de ajuste na lista de exceção de produtos que podem ser importados no âmbito do Mercosul.  Ainda nas ações setoriais, ele lembrou da desoneração tributária em impostos como a Cide, que impediu o reajuste da gasolina, e da PIS-Cofins, que minimizou o efeito da alta internacional no preço do trigo. Aos parlamentares, Mantega disse que a perda do poder aquisitivo da população de menor renda é "a questão mais preocupante" atualmente. Esta atenção da equipe econômica ocorre porque esta faixa de renda compromete, em média, até 40% do rendimento mensal com alimentação, justamente o setor que apresenta a maior inflação acumulada dos últimos meses.   Mantega repetiu que se forem excluídos os preços de alimentos, bebidas e derivados de commodities, como petróleo e aço, a inflação seria muito menor. Até maio de 2008, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses subiu 5,58%. Neste mesmo período, o grupo de alimentos e bebidas teve alta de 14,63%. Já os demais preços subiram 3,21%.   O ministro também apresentou dados da pesquisa Focus do Banco Central que mostram que os repasses dos aumentos do atacado para o varejo devem prevalecer até dezembro de 2008. "Porém, depois deste período as estimativas de mercado voltam para a tendência descendente em direção aos 4,5%".  'Bem situado'  O ministro afirmou que na equação da inflação mundial, o Brasil está "muito bem situado". Segundo ele, ao se comparar com outros países, a inflação no Brasil está "bem comportada" e no nível próximo ao observado em países avançados. Ele destacou, por exemplo, que a inflação nos EUA está perto de 5% (taxa anual) e, na União Européia, na casa de 4%, enquanto a taxa acumulada no Brasil está em 5,5%. O ministro disse que entre os países que adotam o regime de meta de inflação, somente o Brasil e o Canadá estão com os índices de preços dentro da meta. Ele citou, por exemplo, a Suíça, que está com a inflação acima da meta. Mantega também comparou a inflação do Brasil com a dos outros países em desenvolvimento do grupo BRIC, mostrando que a inflação local está menor do que a da Índia, da China e da Rússia. E citou ainda que a inflação no Chile triplicou. "A situação monetária do Brasil é melhor que a do Chile, por exemplo", disse Mantega. O ministro afirmou que há uma escalada mundial de preços derivada da alta nas matérias-primas (commodities), como petróleo, alimentos e metais. Ele atribuiu como fator prioritário para a alta das commodities a especulação que, segundo ele, tem sido motivada pelo baixo rendimento de aplicações em dólar, tanto em ações como em renda fixa, que levou ao deslocamento de investimentos ao mercado futuro de petróleo e produtos agrícolas. Outro fator destacado por Mantega foi o aumento da demanda de países emergentes, como Índia e China, além de protecionismo de países desenvolvidos e a utilização do milho para o etanol norte-americano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.