Governo quer explicações da Varig sobre problemas de passageiros

O governo resolveu pressionar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e quer explicações sobre a situação dos passageiros da Varig que não conseguem embarcar devido ao cancelamento de vôos. A cobrança do governo vem por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, que quer explicações da direção da Varig. O DPDC notificou ontem à noite a Anac, que é o órgão regulador do setor aéreo. A interpretação do DPDC é que, desde o leilão em que foi vendida a parte operacional da companhia para a VarigLog, há uma espécie de espaço vazio sobre as responsabilidades da empresa.O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, disse à Agência Estado que, ao se comunicar a Anac sobre o caso, o órgão de defesa do consumidor espera que sejam cobrados o presidente da Varig, Marcelo Bottini, e o gestor judicial que, por determinação da lei de recuperação judicial, ainda é o responsável pela parte da empresa que permanece sob responsabilidade da Justiça empresarial do Rio. O DPDC espera que isso ajude a pressionar a Varig a resolver logo essa situação emergencial.Morishita ressaltou que, nos últimos dias, têm sido "flagrantes" os casos de desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor pela empresa aérea. Além dos casos relatados na imprensa, o departamento diz que também teve conhecimento de situações em que passageiros ligaram para o call center da companhia, antes de se deslocarem para os aeroportos, e foram informados de que os vôos estavam mantidos.Chegando ao local, no entanto, descobriram que os embarques haviam sido cancelados. "Isso é propaganda enganosa", afirmou Morishita. Ele frisou que "este tipo de desrespeito" pode ter conseqüências muito ruins, não só para a nova companhia que pretende se reerguer após o leilão como também para a aviação comercial em geral.Cancelamentos continuamMesmo sem a autorização da Anac, a Varig continua cancelando vôos por conta da crise pela qual passa. Pelo menos 32 vôos foram suspensos nesta terça-feira, no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, e no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica, São Paulo. No Rio, pelo menos 16 trajetos não foram cumpridos. Dez deles eram domésticos e partiriam para São Paulo, Manaus, Fernando de Noronha, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Fortaleza e Foz do Iguaçu. Na malha internacional, foram suspensos os vôos com destino a Buenos Aires, Lima, Caracas e Copenhague. Apesar disso, não houve confusão entre os passageiros na hora de trocar os bilhetes. A movimentação no balcão da companhia aérea, pela manhã, estava reduzida. Os outros 16 vôos cancelados partiriam de São Paulo. Durante toda a manhã, de 20 vôos programados apenas dois foram confirmados - um para Manaus, que deveria partir às 11 horas mais foi antecipado para 8 horas outro para Salvador. Ambos, no entanto, por volta das 9h45 ainda não haviam decolado. Assim como ocorreu no Rio, em São Paulo não houve registro de tumulto de passageiros da Varig. Além disso, quase não filas nos guichês da companhia.DeterminaçãoOntem, a Anac determinou que a companhia e seu novo controlador, a VarigLog, teriam de informar "imediatamente" os vôos que pretendem operar no mercado doméstico e no exterior. Caso essa comunicação não seja feita, a própria agência definirá as rotas "durante o período de emergência com as aeronaves disponíveis". O fato é que a Varig já havia informado, na noite de sexta-feira, que rotas seriam retomadas. O que se esperava da Anac era uma punição à companhia aérea, já que ela cancelou vôos na semana passada - medida que estava proibida no edital de venda do leilão da Varig. A Anac informou ainda que recebeu nesta segunda-feira a garantia da presidência da Varig de que todos os passageiros da empresa, prejudicados com os cancelamentos de vôos, receberão acomodação. Segundo a Anac, a garantia foi dada pelo presidente da Varig.

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