Governo quer informações adicionais sobre avaliações

O governo quer "informações adicionais" da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Petrobrás sobre as avaliações que ambas apresentaram ontem quanto ao preço do barril do petróleo das reservas do pré-sal que serão usadas na capitalização da companhia.

Leonardo Goy / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Em nota conjunta divulgada ontem à noite, os Ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e a Casa Civil da Presidência da República confirmaram que receberam "avaliações preliminares" feitas pelas certificadoras contratadas pela ANP e pela Petrobrás.

Na mesma nota, porém, os três ministérios afirmam que solicitaram "informações adicionais à ANP e à Petrobrás" e que o governo "aguardará a conclusão dos laudos de certificação para a definição dos parâmetros da cessão onerosa".

Apesar de o Planalto vir reiterando que está mantido o cronograma que prevê a conclusão da operação até o fim de setembro, a necessidade do governo por "informações adicionais" da ANP e da Petrobrás reforça as suspeitas do mercado de que pode haver algum atraso na capitalização. A Casa Civil, porém, informou ao Estado que a solicitação de novos dados não significa, "no momento", qualquer decisão quanto ao adiamento da capitalização.

Antes de anunciar formalmente o valor do barril do petróleo - que, em tese, será ratificado na semana que vem em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) -, o governo precisa chegar a um preço que agrade tanto à Petrobrás quanto ao Tesouro.

Oficialmente, os preços das avaliações da ANP e da Petrobrás não são conhecidos. Mas, segundo noticiou ontem o Estado, os valores estariam bem distantes. Enquanto a avaliação encomendada pela ANP estaria entre US$ 10 e US$ 12 por barril, a da Petrobrás seria de US$ 5 a US$ 6, ou seja, praticamente a metade.

O governo precisa bater o martelo sobre o preço do barril das reservas do pré-sal que serão usadas na capitalização da empresa para definir o tamanho da operação. Pela lei, a União vai ceder uma área equivalente a 5 bilhões de barris. Em outra nota divulgada também ontem, mais cedo, pela ANP, a agência confirmou que serão usadas reservas do poço Franco, localizado na Bacia de Santos.

Lula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai analisar os dois estudos encomendados pela Petrobrás e pela ANP para dar a palavra final sobre a data e o processo de capitalização da petrolífera. "Não tem decisão tomada", disse um ministro, reproduzindo o que ouviu, ainda ontem, do presidente Lula.

Segundo este ministro, o presidente considera natural que a Petrobrás tenha pressa em decidir sobre a capitalização da empresa. Ressaltou, no entanto, que em questões de importância como essa, que mexem com o mercado e envolvem bilhões de dólares, toda cautela é pouca. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

Diferença

A avaliação encomendada pela Agência Nacional do Petróleo fica entre US$ 10 e US$ 12 por barril, enquanto a da Petrobrás é de US$ 5 a US$ 6 por barril, o

correspondente à metade.

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